BNBR3 Banco do Nordeste do Brasil S.A. – Cotação Hoje
Banco do Nordeste do Brasil S.A.
CNPJ: 07237373000120
Fonte: B3 (Brasil, Bolsa, Balcão)·Atualizado em 06/11/2026 às 18:00
BNBR3 (Banco do Nordeste do Brasil S.A.) é uma ação negociada na B3 do setor de Financeiro e Bancos. No pregão de hoje, o ativo é negociado a R$ 104,00, registrando variação de +1.62% no dia. O ativo opera a um múltiplo Preço/Lucro (P/L) de 3.66x. O índice Preço/Valor Patrimonial (P/VP) está avaliado em 0.60x. O Dividend Yield (DY) acumulado nos últimos 12 meses é de aproximadamente 6.67%.
Selo de Investimento:
🛡️ Buy and HoldAtende a 11 de 12 critérios fundamentalistas para estratégias de longo prazo.
Checklist Fundamentalista de 12 Critérios
Critérios auditados automaticamenteA dívida líquida da empresa é menor que o lucro líquido dos últimos 12 meses
Retorno sobre o Patrimônio Líquido historicamente superior a 5%
Histórico consistente de distribuição de proventos acima de 4% a.a.
Crescimento de receitas ou lucros superior a 5% nos últimos anos
Preço sobre Valor Patrimonial negociado abaixo de 5x
Atuação em setor perene e consolidado há mais de um século
Companhia de grande porte, alta liquidez e liderança setorial
Companhia fundada há mais de 30 anos com histórico comprovado
Preço sobre Lucro negociado abaixo de 30x
Alavancagem financeira controlada com Dívida Líquida/EBITDA menor que 2x
Enterprise Value sobre EBIT operacional negociado abaixo de 7x
Proteção aos acionistas minoritários com Tag Along de 80% a 100%
Método Barsi (Preço Teto)
Estratégia focada em renda passiva com cálculo do preço máximo para obter no mínimo 6% ao ano em proventos com base na média dos últimos 5 anos.
Fórmula de Graham (Preço Justo)
Fórmula de Benjamin Graham determinando o valor intrínseco a partir dos múltiplos conservadores de P/L ≤ 15 e P/VP ≤ 1,5.
Resumo Fundamentalista de BNBR3
O ativo BNBR3 (Banco do Nordeste do Brasil S.A.) está sendo negociado hoje a R$ 104,00, acumulando uma variação de +1.62% no pregão. Nos últimos 12 meses, a cotação oscilou entre a mínima de R$ 94,61 e a máxima de R$ 129,74. A companhia está inserida no setor de Financeiro e Bancos, atuando no segmento de Bancos. Em termos de valuation, o papel negocia a um múltiplo P/L de 3.66x e P/VP de 0.60x. Com Dividend Yield acumulado nos últimos 12 meses de 6.67%.
Histórico de Cotação: BNBR3
Evolução do preço diário oficial e indicadores de tendência
Indicadores de Valuation Instituição Financeira
Indicadores de Eficiência
Indicadores de Crescimento
Dados Financeiros
Resultados Financeiros
| Indicador (Anual) | 2025 | 2024 | 2023 | 2022 |
|---|---|---|---|---|
| Receita Total | R$ 10.106,11 Mi | R$ 8.302,91 Mi | R$ 8.558,10 Mi | R$ 8.222,58 Mi |
| Lucro Bruto | R$ 5.104,85 Mi | R$ 3.943,97 Mi | R$ 3.933,42 Mi | R$ 3.744,13 Mi |
| EBIT / Lucro Operacional | R$ 0,00 Mi | R$ 0,00 Mi | R$ 0,00 Mi | R$ 0,00 Mi |
| Lucro Líquido | R$ 3.083,51 Mi | R$ 2.342,57 Mi | R$ 2.098,30 Mi | R$ 2.015,33 Mi |
Sobre a BNBR3
O Banco do Nordeste do Brasil S.A. é uma sociedade de economia mista e banco de desenvolvimento regional com sede em Fortaleza, voltado ao financiamento de atividades produtivas na área de atuação do Nordeste, norte de Minas Gerais e Espírito Santo. A instituição opera como banco múltiplo, com crédito para empresas, agronegócio e pessoas físicas, além de administrar instrumentos de política pública, como linhas de microcrédito produtivo e recursos de fundos constitucionais. No sistema financeiro brasileiro, o BNB tem papel relevante na execução de políticas de desenvolvimento regional e inclusão financeira, com rede de agências e unidades de atendimento em milhares de municípios. O resultado da companhia é influenciado por juros, inadimplência, orçamento de programas públicos e demanda por crédito regional. As ações ordinárias são negociadas na B3 pelo ticker BNBR3.
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Debate sobre juros tem tudo a ver com movimentação juvenil e popular que levou Lula à vitória, diz André Singer
Debate sobre juros tem tudo a ver com mobilização juvenil e popular que levou Lula à vitória, diz André Singer Crédito, Fernando Cavalcanti/BBC Legenda da foto, Ameaça à democracia não acabou porque a sociedade continua sem horizonte de futuro para si e para seus filhos, diz Singer Author, Role, Da BBC News Brasil em São Paulo Published Há 2 minutos Tempo de leitura: 18 min Carregando Carregando A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições deste ano foi, em grande parte, sustentada pela mudança de postura do governo, que passou a dialogar com as necessidades reais da população. Extinguir as bets, reconhecer o alto preço dos alimentos e criar medidas com impacto direto no bolso da população foram iniciativas cruciais para a virada do primeiro para o segundo turno, analisa o cientista político André Singer, professor titular do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). Mas o autor do recém-lançado Impasse - O Brasil diante da onda reacionária (Companhia das Letras), dentre outras obras, afirma que, a despeito da vitória no Brasil e da mais recente derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, a democracia ainda corre risco. "Estamos diante de uma extrema-direita violenta e abertamente antidemocrática", afirma Singer em entrevista à BBC News Brasil. Uma das explicações para o avanço da direita radical, segundo o pesquisador, seria o agravamento das desigualdades causado pela crise financeira de 2008, apontada como a pior recessão global desde a Grande Depressão de 1929. De lá para cá, não importa muito quem vem ganhando as eleições: a vida das pessoas não está melhorando, defende Singer. "A sociedade continua com a corda no pescoço e sem horizonte de futuro para si e para os seus filhos", afirma. Parte dessa população, portanto, se deslocou para a direita radical, que avançou muito nos últimos anos em todo o mundo. "A boa notícia que eu posso dar para quem é favorável à democracia, como é meu caso, é que a extrema-direita também não está encontrando solução para essas pessoas." Leia abaixo os principais trechos da entrevista. Pule Promoção app e continue lendo Temos um novo app! Veja notícias do Brasil e do mundo no BBC World Service Baixe aqui Fim da Promoção app BBC News Brasil - A antropóloga Rosana Pinheiro Machado, que pesquisa também os efeitos da plataformização do trabalho, defende que uma nova classe aspiracional, que busca prosperar financeiramente e se frustra por considerar que suas necessidades não são contempladas pelas políticas públicas atuais, representa uma "bomba-relógio" que quase estourou nessas eleições. Essa bomba está desarmada ou apenas sua explosão foi adiada? André Singer - Vamos tomar essa imagem da bomba-relógio como ponto de partida. Eu diria que aconteceu uma coisa excepcional: ela, digamos, estourou no primeiro turno e "desestourou" no segundo. Na verdade, ela foi revertida, como se o efeito dela tivesse virado ao contrário. E esse é o fenômeno incrível, porque nós temos que lembrar que o presidente Lula ganhou de Flávio Bolsonaro pelo dobro da diferença com que ele ganhou de Jair Bolsonaro em 2022. Então, o final do processo é o inverso do que aconteceu no primeiro turno. E eu estou falando não apenas dos números, mas de uma interpretação política profunda do que aconteceu. De tal maneira que a ideia da bomba-relógio é excelente, mas acho que o que aconteceu entre o primeiro e o segundo turno foi a reversão desse processo. O que não significa que a bomba tenha sido desativada, mas ela teve, do ponto de vista estritamente político, e quem analisa política precisa analisar cada conjuntura, uma reversão desse processo no segundo turno. BBC News Brasil - E por quê? O que aconteceu? Já dá para apontar fatores concretos para essa reversão? Singer - Foram três fatores. Começa com uma mudança de postura do presidente e, portanto, do caráter do governo. Esse talvez seja o aspecto menos notado. O presidente, a meu ver, mudou a campanha completamente em meados de setembro. Na verdade, o marco específico é o comício de Porto Alegre em 11 de setembro, quando ele reconheceu que os preços do supermercado estavam caros, citando especificamente o café e a carne. A partir daí, ocorre uma grande mudança. Ele começou a tomar medidas no sentido de dialogar com as necessidades da população. E talvez a mais emblemática tenha sido a proibição das bets. Porque o que acontece aqui é uma confluência de diversos fatores: aumento do custo de vida, uma crise de endividamento das famílias e, em terceiro lugar, a epidemia das bets. Não digo que seja só isso, mas em parte ocorre porque as pessoas estavam endividadas e tentavam conseguir uma renda extra para pagar suas dívidas. E o mecanismo das bets é feito para que a pessoa perca. Então, a maioria dessas pessoas acabava mais endividada, numa situação muito angustiante. Se olharmos para essa tríade, dá para perceber bem o que aconteceu. Claro que não foi só a proibição das bets. Houve uma série de medidas, até envolvendo os MEIs, o Desenrola 3, o reajuste do Bolsa Família, a aprovação do fim da escala 6x1, a [proposta da] tarifa zero no transporte público no fim de semana... Nós tivemos um pacote que, na minha opinião, mudou o caráter do governo. A isso se somou uma espécie de explosão social no segundo turno. Os jovens, sobretudo, foram em massa para as ruas num fenômeno que eu não via desde 2013. Diria até que é um fenômeno análogo [a 2013]. As manifestações da Avenida Paulista dos dias 11 e 24 de outubro são equivalentes à grande manifestação da direita pelo impeachment da presidente Dilma [Rousseff] em março de 2016. BBC News Brasil - Mas essas grandes manifestações que ocorreram em 2013 e depois em 2016 eram contra algo: o aumento da tarifa ou o governo Dilma. Era muito difícil juntar gente na rua a favor de algo... Singer - As manifestações que foram convocadas contra o governo Bolsonaro durante o final da pandemia não tiveram resultado. Nenhuma manifestação alcança a dimensão das que ocorreram nos dias 11 e 24 se elas não tiverem um conteúdo popular. Você não enche a Avenida Paulista daquele jeito sem as camadas populares estarem envolvidas. A grande novidade é que tem, de fato, um aspecto positivo e propositivo, que era pela reeleição do presidente Lula, mas vamos lembrar também que era muito contra a extrema-direita. Havia um espectro da extrema-direita que quase se materializou no primeiro turno, porque, para a surpresa geral, uma vez que as pesquisas diziam o contrário, Flávio Bolsonaro ficou à frente por dois pontos percentuais. Também essa postura de medo e de repúdio à extrema-direita foi muito importante naquelas manifestações. Essa é a dobradinha fundamental, entre a mudança da postura do governo e uma explosão social comparável à de 2013, com repercussões em 2016, porque a gente sabe que 2016 foi um pouco a continuação de 2013. Junto com isso, houve a operação digital, vamos chamar assim, do Exército do Janones, que capilarizou este movimento para o país inteiro, porque uma coisa extraordinária foi o fato de que essas manifestações ocorreram em centenas de cidades. Isso, num país continental como o Brasil, é muito significativo. Tivemos um movimento nacional raramente visto, de grande significado. BBC - O senhor entrou no Exército do Janones? Singer - Eu, pessoalmente, não participei, porque eu não sei operar isso e estava absolutamente concentrado no trabalho que eu tinha que fazer, mas eu acompanhei bastante. BBC News Brasil - Pelo que se tem falado até agora, a eleição virou pela combinação de dois fatores: a mobilização social, inflamada pelo medo do avanço da direita radical, e medidas que afetam diretamente e imediatamente o bolso. Singer - Exatamente, e é nesse sentido que digo que a eleição inverteu o efeito da bomba-relógio que explodiu no primeiro turno. De fato, o grupo que estava oscilando e queria decidir a eleição é esse grupo de eleitores que recebe de dois a cinco salários mínimos de renda familiar mensal, que é um grupo que escolhe de maneira pragmática, olhando para a sua situação, que é uma situação bastante difícil. Evidentemente que não é tão difícil quanto a dos que estão na base da pirâmide social. Mas aqui precisa lembrar que os programas históricos do lulismo, como o Bolsa Família, protegem, de alguma forma, esse segmento mais vulnerável, por exemplo, no interior do país, no interior do Nordeste, onde o custo de vida é menor. E esse setor de dois a cinco salários mínimos, em geral, tem que conviver com o custo de vida maior, que é o custo de vida metropolitano. Crédito, Brian Snyder/Reuters Legenda da foto, Singer compara as manifestações a favor de Lula nesta eleição às registradas em 2013, pelo volume de pessoas nas ruas BBC News Brasil - O fim da jornada 6x1 foi algo que, desde o começo da campanha, Lula tentava muito aprovar para usar como plataforma. Qual é o peso dessa mudança? Porque muita gente é informal. Singer - Você tem razão de que tem muita gente que é informal, que são microempreendedores, já devemos mencionar o fato de que houve um pacote muito significativo para os microempreendedores individuais, dialogando diretamente com esse setor e essas necessidades. Mas ainda tem um contingente importante de trabalhadores CLT. Às vezes, se tem a impressão de que todos viraram trabalhadores por plataformas, o que não é verdade. É um contingente expressivo e talvez crescente, mas ainda há um enorme contingente de trabalhadores e empregados. A medida da mudança da jornada de trabalho é fundamental, porque dialoga diretamente com essa juventude que foi para a rua. E essa juventude foi para a rua em parte porque percebeu que o governo tinha realmente se comprometido com essa medida. Não era uma promessa de campanha. BBC News Brasil - A campanha petista se favoreceu da defesa de Flávio Bolsonaro da negociação entre patrão e empregado? O senador também disse que, se ganhasse as eleições, mudaria a Constituição... Singer - Ela se favoreceu bastante. Flávio Bolsonaro errou, do ponto de vista tático, ao desconsiderar que o primeiro turno não é o segundo. Ele não era o presidente e metaforicamente se sentou na cadeira antes da hora. Esse é um erro que nenhum candidato pode cometer, porque é fatal. No caso dele, teve um preço alto. Mas, além de ser um erro tático, há uma questão de fundo aí. Na verdade, a proposta do Flávio Bolsonaro era a de um contrato aberto de recebimento do trabalhador por horas trabalhadas, que ele combinaria, por livre vontade, entre aspas, com o empregador. Isso significa simplesmente eliminar toda a proteção trabalhista, que é, no fundo, o que estava na cabeça dele, porque não é por acaso que ele passou toda a campanha até o primeiro turno falando que se mirava no [presidente da Argentina, Javier] Milei. É uma posição ultraliberal. Quando ele vê a maré do movimento social, ele começa a recuar de todas as suas propostas, inclusive do exemplo do Milei, e dizer que ele ia manter todos os benefícios sociais, que se comprometia com o fim da 6x1 etc. Mas o segundo turno da eleição teve um aspecto muito interessante para quem estuda comportamento eleitoral, que é mostrar que existe uma certa racionalidade no eleitor, porque o eleitor percebe, ele tem uma sensibilidade, sobretudo para o que lhe interessa diretamente. Então, não foi só o erro tático logo depois do primeiro turno que, de fato, ele cometeu, mas também o conjunto. BBC News Brasil - Lula foi reeleito, mas em toda a América a direita radical vem avançando muito nos últimos anos. Por que o discurso se radicalizou tanto? E é possível conter essa radicalização? Singer - Não é o discurso que se radicalizou, é a ação. Estamos diante de uma extrema-direita violenta e abertamente antidemocrática. Aqui no Brasil, tivemos o caso máximo, que é uma tentativa de golpe de Estado. Então, não é um problema de discurso, é um problema de fundo. Por que isso acontece? Há um debate aberto. A minha hipótese é que o neoliberalismo, após o crash de 2008, agravou as desigualdades em todo o mundo. O neoliberalismo, de certa forma, faz com que o resultado da eleição não mude muito a situação de vida dessa parte da população. Então, ganha A, ganha B, ganha C, ganha D, mas a sociedade continua muito com a corda no pescoço e sem horizonte de futuro para si e para os seus filhos. Um bloco dessa população se deslocou para a extrema-direita e deu uma sustentação para posições de extrema-direita que seriam, em princípio, de estratos médios. A boa notícia que eu posso dar para quem é favorável à democracia, como é meu caso, é que a extrema-direita também não está encontrando solução para essas pessoas. A derrota de Trump nas eleições de meio de mandato significa que, nos próximos dois anos, ele não vai ter o mesmo poder que teve nos dois primeiros. A vitória do presidente Lula no Brasil tem uma dimensão parecida, fazendo com que o quadro nas Américas, neste momento, fique mais equilibrado, criando um espaço de esperança, digamos assim, que tem que ser aproveitado, porque a ameaça não vai parar. BBC News Brasil - Essa ida do Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos pode, de alguma maneira, interferir na retomada de relações do Lula com o Trump? Como essa ida do Flávio para lá pode interferir nas relações bilaterais? Singer - Em um primeiro momento não interfere, porque o Flávio cometeu um segundo erro tático, a meu ver, ao não reconhecer o resultado da eleição. Ele vinha se apresentando, isso desde antes do primeiro turno — portanto, não foi um movimento ocasional — como o Bolsonaro moderado, explicitamente. Ele estava, obviamente, dialogando com o fato de que o candidato natural seria o Tarcísio de Freitas. E o Bolsonaro pai decidiu indicar o filho mais velho para deixar claro que é quem decidiu, e que ele queria ter na urna o nome dele. O Flávio cometeu um terceiro erro ao sair do Brasil de uma maneira inteiramente desacreditada. Claro que deve ter bolsões bolsonaristas que acreditam que a eleição foi fraudada e que podem acreditar em coisas absurdas, mas são grupos pequenos. A opinião pública brasileira é unânime em reconhecer, mesmo nos setores de direita, que a eleição foi completamente justa, que a prorrogação do prazo era necessária, porque havia dificuldades em várias cidades, como Salvador e São Paulo, tanto é assim que o PL entrou junto com o PT, com o mesmo pedido de extensão do prazo, o que desmonta completamente a hipótese de fraude. A saída dele do Brasil o deslegitima como líder. Então, em um primeiro momento, não afeta em nada. Inclusive porque o presidente Trump tomou uma posição distante do assunto, dizendo que houve problemas na eleição brasileira, mas que ele gosta do Lula, estas declarações desencontradas, que são típicas da atual Casa Branca. O problema é saber o que vai acontecer daqui para frente. Porque agora começa lentamente um processo novo, que é o processo que vai dar no quarto governo do presidente Lula. Nem começou. Crédito, Divyakant Solanki/EPA/Shutterstock Legenda da foto, Com a derrota nas midterms, Trump não terá mais o mesmo poder, diz Singer BBC News Brasil - Olhando para 2030 e sucessão, dá para pensar em lições que dá para tirar dessa eleição de agora? Singer - 2030 não está na mesa neste momento, porque tem muita coisa até lá. A única razão pela qual 2030 está na mesa é porque, em sistemas presidencialistas, quando acaba uma eleição, todo mundo começa a pensar na próxima. E é normal que seja assim, porque faz parte do mecanismo previsto. O governador [de São Paulo] Tarcísio Freitas [Republicanos] já está se mexendo para ser o candidato em 2030. Mas eu não identifico nada parecido do lado vencedor desta eleição. O que eu acho que se pode tirar são conclusões a respeito do processo ocorrido entre o primeiro e o segundo turno e dos possíveis efeitos que isso vem a ter no quarto governo. BBC News Brasil – A pergunta sobre sucessão é inevitável, dado que Lula não vai poder mais disputar. Tarcísio é um candidato natural, como já era até Bolsonaro decidir pelo Flávio. Fernando Haddad nos deu uma entrevista na qual levantou a possibilidade de haver prévias no PT para presidente. Que é algo que não acontece há muito tempo no partido. O que o senhor acha dessa ideia? Singer - O mecanismo das prévias é sempre um bom mecanismo, eu acho. Ele é interessante, democrático, permite participação. Inclusive, rende eleitoralmente, porque ele já começa o processo. Tudo depende de como as coisas estiverem postas no momento em que tiver que ser tomada essa decisão, mas, em princípio, acho uma boa ideia. BBC News Brasil - Ainda falando sobre os campos com quem Lula deve dialogar, ele fez um discurso em Santa Catarina durante a campanha dizendo que o agro tinha que "se ajoelhar" a ele, em razão dos recursos e do volume de crédito disponibilizados pelo governo à agricultura. Ao mesmo tempo em que o governo abre muito as portas no sentido financeiro, com o Plano Safra, por outro lado, o agro é, em grande parte, muito bolsonarista. Falta um diálogo com esse setor da sociedade? Singer - Não acho que falte diálogo. O que eu acho que acontece é que realmente essa fração, vamos chamar assim, da burguesia, tem se encastelado numa posição muito contrária ao PT, ao lulismo, ao próprio presidente Lula. Mas a gente tem que considerar o seguinte: o diálogo está aberto porque é visível, inclusive nesse terceiro mandato, que o governo trata esse setor da economia como um setor prioritário, porque ele é mesmo. Da maneira como a economia brasileira está conformada hoje, ninguém que seja responsável pode desconhecer a importância do agro, é o setor mais dinâmico da economia brasileira. O PT, o lulismo e as forças que se organizaram em torno do terceiro mandato do presidente Lula têm que ter no horizonte a reindustrialização do país. Não existe possibilidade de a gente dar o passo necessário para incluir a parte pobre do Brasil sem uma perspectiva de bons empregos. E não é só o emprego CLT, é também a possibilidade de prosperidade para os trabalhadores que são hoje empreendedores individuais. Esse é o grande desafio histórico do Brasil. Agora, como fazer a reindustrialização, aí sabemos que é um problema gigante, porque isso envolve questões internacionais e uma reorientação da economia que não é fácil de se fazer. Mas, isto colocado como um elemento de grande transformação, o agro tem que estar junto. Não pode não estar junto, porque é o setor mais dinâmico, mais próspero da economia brasileira. Nenhum governo que tenha o mínimo de responsabilidade vai deixar de dialogar com o agro. Se você buscar nos jornais, não houve conflito com o agro durante o terceiro mandato do presidente Lula. Isso é um pouco uma construção. Chegado o momento da eleição, essa fração da burguesia se alinha, como se alinhou de novo, com o bolsonarismo. E aí começa um problema sério. Porque tem muitos pontos de contato. De um lado, a ideia de que os conflitos sociais precisam ser tratados com mais dureza. Isso é uma tradição, porque é um setor da economia para o qual, por exemplo, evitar invasões de terras, ocupação de terras, é muito prioritário. Ao mesmo tempo, é um setor que tem uma concepção, uma visão de mundo, por assim dizer, mais radical do que outras, dentro da própria burguesia. Mas é bom lembrar que, neste ano, 2026, a burguesia não se manifestou a favor do presidente Lula em nenhum dos seus setores. Isso, inclusive, não deixou o agro tão isolado assim quanto ele poderia ter estado, por exemplo, em 2022. Mesmo prestando atenção no movimento desse setor, tem vozes dizendo que não podemos continuar com essa opção de extrema-direita. Mas elas são minoritárias. Em outras palavras, houve um alinhamento do agronegócio com a extrema-direita no Brasil, o que é um tremendo problema para o Brasil. E é um problema para todos nós. Isso dá um suporte que, junto com as confissões evangélicas, é o grande esteio do bolsonarismo. Um grande desafio seria ter, nas próximas eleições, por exemplo, uma direita que estes setores certamente apoiariam, mas que não fosse uma extrema-direita. BBC News Brasil – Seria voltar aos velhos tempos? Quando havia um PSDB forte? Singer - O PSDB, na minha opinião, é um partido de centro. Digo isso com uma certa dose de cautela, porque é muito difícil classificar os partidos no Brasil. Porque, de maneira geral, os partidos no Brasil são muito voláteis nas suas posições programáticas, oscilam muito. E é muito difícil fixar quem está no centro, quem está na centro-direita, quem está na direita. Mas, feitas essas ressalvas, eu tendo a considerar hoje que o melhor lugar para a gente entender o PSDB é o centro. Então, naquele período, 1994, 2014, a direita estava apoiando o centro. Agora, estou sendo menos otimista. Estou dizendo uma direita, mas uma direita democrática, porque o problema nosso no Brasil e no resto do mundo, em certa medida também, é isolar a extrema-direita. E eu digo isso porque, do contrário, vamos continuar tendo a democracia ameaçada, e isso quase nos engessa, porque você precisa dar prioridade à democracia. Ao mesmo tempo, a democracia não vai sobreviver se ela não for capaz de atender à maioria da população. Porque aí a maioria da população não a reconhecerá como um regime político que interessa. Crédito, Raquel Cunha/Reuters Legenda da foto, Flávio Bolsonaro cometeu o erro 'fatal' de 'se sentar na cadeira antes da hora', afirma Singer BBC News Brasil - E o que está em jogo no Lula 4? O cenário é o de um Congresso hostil, com medidas que o presidente Lula tomou de última hora antes da eleição, em meio ao debate sobre um ajuste fiscal. O que esse governo precisa fazer para responder a esses anseios da população? Singer - Na minha opinião, o desafio do quarto mandato é equacionar os problemas socioeconômicos de modo a produzir um alívio imediato em amplos setores populares e, ao mesmo tempo, abrir horizontes de progresso futuro. Em outras palavras, aumentar gradativamente o conquistado e reencontrar o caminho do desenvolvimento perdido. Para isso, será preciso enfrentar as pressões que começaram na manhã seguinte ao segundo turno, com a queda da bolsa e a subida do dólar. O ajuste fiscal exigido por agentes do mercado financeiro significaria desindexar os benefícios previdenciários do salário mínimo e retirar os pisos da educação e da saúde da Constituição. O presidente prometeu preservar os direitos sociais existentes e tenho certeza de que o fará. A proposta lançada pelo economista André Lara Resende para reduzir a taxa de juros, por outro lado, tem o mérito de deslocar o debate, mostrando que a maior parte da dívida pública se deve à altura em que a Selic é mantida pelo Banco Central. Como careço de conhecimento técnico a respeito, evito afirmar que a fórmula de Resende deva ser adotada. O fato de ter reaparecido neste momento, entretanto, tem tudo a ver com o sentido do segundo turno, quando uma intensa movimentação juvenil e popular, pendente para a esquerda, virou o resultado. Os jovens foram às ruas, sensibilizados pelo fim da escala 6X1, transporte gratuito no fim de semana e, indiretamente, pela proibição das bets, entre outras medidas tomadas a partir de meados de setembro. Diante dessa novidade política, faz sentido sugerir propostas inovadoras para a gestão da economia, de modo a romper os nós que amarraram o terceiro mandato do presidente Lula. Por fim, o aumento do peso representado pela extrema-direita no Senado e na Câmara é indiscutível. Tivemos um primeiro turno à direita e um segundo, à esquerda, o que é pouco comum. Por maiores que sejam as bancadas do PL, contudo, não constituem maioria. Precisarão negociar o tempo todo e, penso, o seu foco será reabilitar Jair Bolsonaro de modo a que possa concorrer em 2030. As duas principais pautas socioeconômicas de Lula — isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e mudança da jornada de trabalho — foram aprovadas praticamente por unanimidade. BBC News Brasil – O senhor, sendo uma pessoa que estuda as relações de trabalho, de que forma está enxergando a redução da jornada 6x1? Estamos entrando numa nova era do trabalho no Brasil? Singer - Eu acho que estamos entrando, sem dúvida, numa nova era do trabalho no mundo todo, em função do encolhimento da indústria, que é um fenômeno duplo. Em parte, ela se deslocou para a Ásia, mas em parte também a indústria absorve menos gente, em função da tecnologia. O que significa que tem uma área de serviços se ampliando muito, porque o agro também absorve pouca gente, então há uma expansão do setor de serviços. Por outro lado, tem a plataformização desse setor de serviços, o que implica mudanças profundas no sentido de fragmentação da classe trabalhadora. A classe trabalhadora já não se encontra mais em fábricas em que havia milhares de pessoas trabalhando juntas e, por dividirem o trabalho, ele se torna cooperativo. Ele pode não parecer, porque é voltado para a acumulação do capital, mas é cooperativo. E é isso que fez o movimento operário ser muito forte, porque, se os trabalhadores decidem parar, para tudo. Hoje não tem mais isso. Ainda existe esse setor, mas ele se reduziu, ao mesmo tempo em que cresceu muito um setor fragmentado, que trabalha individualmente, separadamente, você não encontra seu colega. E a plataformização significa que você tem um mecanismo algorítmico que te força a competir com o seu colega, em lugar de cooperar com o seu colega. Isso muda tudo. Essa mudança faz com que os mecanismos tradicionais construídos pelo movimento operário não funcionem mais. Essa é a explicação, na verdade, porque estamos diante de uma situação em que as alternativas da classe trabalhadora ficaram muito enfraquecidas. E agora, com a chegada da redução, acho que vai ficando claro para um número maior de pessoas que, na realidade, não seria tão importante ter mais dinheiro quanto ter mais tempo. Essa questão do tempo sobre o dinheiro, comparativamente, ganhou uma proeminência que não tinha antes. Só que, num país semiperiférico como o Brasil, isto não se aplica. Tanto é assim que uma parte das pessoas vai usar a folga que ganhou com a mudança da jornada de trabalho para fazer trabalho extra. Porque justamente a sua renda não dá conta das contas que tem a pagar. De modo que a gente precisa fazer uma espécie de adaptação desse mundo que a gente vê nos países ricos para as condições nossas que são bastante diferentes. BBC News Brasil - Do primeiro para o segundo turno, Lula reclamou da organização da campanha e da comunicação, que sempre é o primeiro setor a ser culpado. E aí, depois que ele ganhou, ele falou que agora vai ser diferente, vai falar com as pessoas todos os dias, começou a fazer vídeos de selfie, mudou o jeito como ele tentava se aproximar dos eleitores. Daria para dar um conselho para o presidente em relação à comunicação nesse momento? Singer - Não. Absolutamente (risos). Eu acho que eu não sou a pessoa feita para isso. Quer dizer, a comunicação está passando por uma revolução completa, uma transformação total, que provavelmente a minha geração já não entende bem como isto está de fato se dando. Eu até reconheço que é uma lacuna minha e que eu vou tentar estudar, ler a respeito e ver se os autores me orientam, do ponto de vista teórico. Do ponto de vista prático, não tenho nenhuma ilusão de que eu consiga me adaptar. Como eu quero continuar trabalhando, eu vou tentar entender, mas eu definitivamente não sou a pessoa indicada para dar conselhos ao presidente nesta área. Mas, do ponto de vista prático, o exemplo é o segundo turno. Ele se adaptou àquilo que era necessário, parece que foi bem, se comunicando e fazendo seu papel dentro desse novo formato comunicativo.
O Réveillon virou comício
As eleições acabaram, mas o tom radicalizado da militância, não. E tudo leva a crer que teremos mais quatro anos de hegemonia do discurso do "nós contra eles", cada um animado pela certeza de estar do lado correto da história. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha Carregando... Na semana seguinte à vitória de Lula, começaram a circular em grupos bolsonaristas do WhatsApp listas de comércios e profissionais a serem boicotados por supostamente terem votado no PT. A candidata a vice na chapa do PT em 2018, Manuela D´avila, comparou tal ato aos boicotes nazistas a judeus na década de 1930. Jorge e Mateus durante exibição em 2022 - Eduardo Martins - 20.ago.22/AgNews Manuela se esquece do histórico recente de boicote das esquerdas. Em 2020, a CUT, maior central sindical do país, pediu o boicote de "empresas ligadas a Bolsonaro" e listou: Havan, Riachuelo, Madero, Coco Bambu, Smart Fit e Centauro. A Ypê foi cancelada em 2022 por doar dinheiro para a campanha de Bolsonaro. Em 2023, Fernando Haddad defendeu a prática no Fórum Econômico Mundial: "Eu não compro nem um palito de fósforo que não tenha compromisso com essas questões [democráticas]. Até como consumidores nós temos condição de pressionar". Já em 2024, José Genoíno, ex-presidente nacional do PT, disse achar "interessante" fazer um boicote "em relação a determinadas empresas de judeus" como forma de criticar o Estado de Israel. Teriam sido esses petistas também nazistas em potencial? Hoje em dia nada acaba no primeiro golpe. Logo vem a resposta do outro lado, num jogo que se retroalimenta sempre em função de pautas canceladoras de sempre. A polêmica desta semana foi sobre os festejos de fim de ano bancados pelas prefeituras de Recife e Fortaleza. Ambas as prefeituras haviam contratado previamente uma das principais duplas sertanejas do Brasil, Jorge & Mateus, para as festas públicas na praia. Mas uma semana antes da votação de segundo turno, o cantor Jorge apareceu ao lado de Flávio Bolsonaro, junto com vários cantores sertanejos, declarando seu voto. Em vídeo largamente divulgado, Jorge cantava uma versão de um dos maiores sucessos da dupla, "Pode chorar", de 2007: "Pode chorar/ Mas eu não voto no PT/ Pode chorar/ Você não vai me convencer". Circulam na internet acusações de que Jorge teria debochado explicitamente do Nordeste, mas nada foi provado. Pelo que se sabe até aqui, trata-se de fake news. Segue-se o tom da campanha, em que ambos os lados fizeram fake news "do bem". Acuado, Jorge escreveu nas redes sociais: "Nunca fiz declarações e jamais me referiria dessa forma a uma região pela qual tenho tanto carinho, admiração e respeito. Faço esse esclarecimento em meu nome, por se tratar de uma situação relacionada a mim, e não ao Mateus". Seu parceiro Mateus não foi ao encontro com Bolsonaro. Será que Mateus não votou em Flávio? Não se sabe. E a imprensa parece pouco interessada em apurar por que várias duplas não foram completas ao evento de apoio a Flávio. Diante da pressão das redes sociais pelo cancelamento do show de Jorge & Mateus, o prefeito de Recife, Victor Marques (PCdoB), disse na terça-feira (2): "As eleições passaram e a gente precisa respeitar e conviver com todos que pensam diferente de nós. Isso é a beleza da nossa democracia. O réveillon de Recife é extremamente plural e cabe todo mundo". Mas a beleza da democracia recifense não durou muito tempo e no dia seguinte o prefeito publicou outro vídeo se contradizendo: "O final de ano é sempre um momento de união, unidade, fraternidade, de muito amor e também de renovação da esperança. É justamente por esse motivo que não há mais clima para a apresentação da dupla Jorge & Mateus dentro da nossa programação". Diante desse contexto, o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), também cancelou o show da dupla sertaneja. Por sua vez, internautas e artistas baianos pediram o cancelamento do show da dupla no Festival Virada Salvador, mas o prefeito Bruno Reis (União Brasil) manteve a contratação. Em defesa do prefeito baiano, ACM Neto, que apoiou Flávio, afirmou: "Gente, prefeito não é dono do dinheiro público! Nem do voto de quem sobe no palco. Me poupe!" Ambos os lados de nossa política radicalizada querem que o Estado esteja do seu lado e endosse seus artistas. O que ninguém questiona é por que, desde os anos 80, o Estado se apropriou das festas populares e se colocou no lugar de organizá-las, asfixiando a sociedade civil. Se fosse um show meramente privado, não caberia o questionamento. Mas quando o Estado se arvora a dizer o que o povo deve consumir musicalmente, e paga por isso, entramos nessa discussão sobre quem o Estado deve privilegiar. Se os showmícios foram proibidos décadas atrás, é hora de banir também os shows custeados por prefeituras. A politização está sufocando a autonomia da sociedade para celebrar seus gostos estéticos em liberdade. A solução para o patrulhamento ideológico não é escolher quais artistas a prefeitura pode ou não contratar, mas tirar o Estado do papel de curador cultural. Enquanto o poder público continuar pagando a conta, o palco nunca será da arte ou do público —será sempre do governante da vez. Se a política transformou a celebração popular em réplica de comício, o problema não é apenas o repertório do sertanejo. É o Estado achando que deve ser o dono da festa.
Bitcoin cai a US$ 76 mil com tombo das ações de tecnologia dos EUA
O bitcoin recuou para cerca de US$ 76 mil nesta sexta-feira (6), com a queda das ações de tecnologia dos Estados Unidos. Ilustração: Forbes Brasil O bitcoin (BTC) recuou para US$ 76.056,11 às 7h10 desta sexta-feira (6), com queda de 6% em 24 horas, segundo cotação do InvestNews. Outras fontes, como o Portal do Bitcoin, citado pelo BPMoney, calculam recuo de 5,3% no mesmo período. A moeda digital acompanhou o Nasdaq 100, índice das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, que caiu 6,4% na quinta-feira (5), segundo o InvestNews. Em dois dias, o bitcoin passou de mais de US$ 80 mil, na quarta-feira (4), segundo o BPMoney, para cerca de US$ 76 mil. Leia também Bolsas americanas puxam a queda das criptomoedas Na quinta-feira (5), o Nasdaq 100 perdeu cerca de US$ 2,5 trilhões em valor de mercado, segundo a IstoÉ Dinheiro. O Nasdaq Composite caiu 5,5%, o pior dia desde abril de 2025, e o S&P 500 recuou entre 4,3% e 4,4%, segundo CoinDesk e BPMoney. A Nvidia caiu 9,3% e o índice de semicondutores da Filadélfia recuou cerca de 12%, segundo o BPMoney. Para o InvestNews, os investidores passaram a duvidar de que os bilhões aplicados em inteligência artificial (IA) tragam o retorno esperado. Analistas do banco UBS, citados pela IstoÉ Dinheiro, avaliam que pausas na construção de data centers podem colocar em risco parte da capacidade prevista para os Estados Unidos. O motivo é o temor de que licenças e fiscalização mais rígidas atrasem os projetos. Cotações das principais criptomoedas nesta sexta-feira (6) Os preços abaixo são do InvestNews, às 7h10 desta sexta-feira (6), com variação em 24 horas: Bitcoin (BTC): queda de 6,00%, a US$ 76.056,11 queda de 6,00%, a US$ 76.056,11 Ethereum (ETH): recuo de 7,32%, a US$ 2.235,09 recuo de 7,32%, a US$ 2.235,09 BNB: baixa de 3,04%, a US$ 693,44 baixa de 3,04%, a US$ 693,44 XRP: queda de 9,09%, a US$ 1,19 queda de 9,09%, a US$ 1,19 Solana (SOL): desvalorização de 7,01%, a US$ 89,96 As variações mudam ao longo do dia. O BPMoney, com dados de outro horário, registrou recuo de 7,8% no Ethereum e de 9,6% no XRP. Fundos de bitcoin têm resgates e posições alavancadas são encerradas Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin à vista tiveram saída líquida de US$ 430,2 milhões na quinta-feira (5), segundo dados da SoSoValue citados pela CoinDesk. O FBTC, da Fidelity, respondeu por US$ 199,9 milhões, e o IBIT, da BlackRock, por US$ 105 milhões. Na quarta-feira (4), houve entrada de US$ 74,6 milhões. No acumulado da semana até quinta-feira, as saídas somam US$ 869,8 milhões, segundo a SoSoValue. Em 24 horas, US$ 1,26 bilhão em posições alavancadas foi encerrado à força, sendo US$ 1,12 bilhão em apostas de alta, segundo a CoinGlass, citada pela CoinDesk. Simon-Peter Massabni, da XS.com, afirmou à CoinDesk que gestoras vendem ativos alternativos para cobrir chamadas de margem e reduzir o endividamento das carteiras. Joshua Lim, da FalconX, disse, segundo o BPMoney, que as vendas se intensificaram com a avaliação de que a construção de data centers vai desacelerar. Cenário político nos EUA aumenta a cautela com ativos digitais A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato, chamada de “onda azul” pelo InvestNews, aumentou o receio de regras mais duras para tecnologia, em áreas como IA e data centers. Carlos Guzman, da GSR, ligou o movimento ao pleito americano e às dúvidas sobre o retorno dos investimentos em IA, segundo o BPMoney. O Clarity Act, projeto que define regras para o mercado de criptomoedas nos EUA, já estava parado no Senado. Segundo o InvestNews, especialistas avaliam que o resultado das eleições reduziu ainda mais as chances de aprovação no formato atual. O InvestNews também aponta que os negócios de criptomoedas ligados a Donald Trump geram questionamentos sobre conflitos de interesse, e que os democratas podem usar o tema. Brasil: Itaú, CVM e alerta de segurança no mercado cripto Guto Antunes, head de ativos digitais do Itaú, afirmou no OranjeBTC Summit 2026 que o volume de compras de bitcoin dos clientes do banco subiu cerca de três vezes logo após o resultado das eleições brasileiras, segundo a Exame, de 5 de novembro de 2026. Ele disse que muitos clientes buscaram proteção em dólar com bitcoin. A Exame não informa valores absolutos nem o período de comparação. Nesta sexta-feira (6), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) realiza, a partir das 8h30, o 2º Encontro com o Mercado do Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT), segundo o InvestNews. O encontro discute os modelos em desenvolvimento e os próximos passos da tokenização de valores mobiliários no país. No mesmo evento, em São Paulo, Michael Saylor, presidente executivo da Strategy, afirmou por videoconferência que os avanços da IA aumentaram a capacidade de encontrar falhas em sistemas financeiros. “A coisa mais vulnerável do mundo é quando um software complicado e mal construído encontra o dinheiro”, disse, segundo o Bitnoticias. Para ele, bancos, corretoras e custodiantes devem presumir que criminosos terão acesso a modelos avançados de IA. Níveis de preço e o que o mercado observa O BPMoney, citando a Reuters, aponta US$ 75 mil como suporte, ou seja, o nível em que o preço costuma encontrar compradores. Abaixo disso, o próximo ponto de atenção seria US$ 73.188, a média móvel de 200 dias. Acima de US$ 81.319, a tendência de baixa perderia força. O relatório de emprego dos Estados Unidos (payroll) de outubro, com divulgação às 10h30 desta sexta-feira (6), também estava no radar. A expectativa era de 65 mil vagas, segundo a Reuters, citada pelo BPMoney, contra 29 mil em setembro. A oportunidade de médio prazo e o que falta para ela se concretizar Há argumentos para quem olha além da queda. Jasper De Maere, da Wintermute, avaliou, segundo o BPMoney, que as criptomoedas mostraram certa resistência e que o otimismo de médio prazo se mantém, com cautela no curto prazo. Em 3 de novembro, a CoinDesk lembrou que, após as eleições de meio de mandato, o bitcoin estava mais alto 12 meses depois em todas as vezes, segundo a DWF Labs. O que falta é estabilidade nos fatores que pesam hoje. O fluxo dos ETFs precisa voltar a ser positivo, o preço precisa sustentar o suporte de US$ 75 mil, e as dúvidas sobre o retorno da IA e sobre a regulação nos Estados Unidos seguem sem resposta. Continue acompanhando O Paraíba Business acompanha o cenário institucional, os serviços e o ambiente de negócios, e seus efeitos sobre a Paraíba e o Nordeste. No caso das criptomoedas, o ponto em aberto é o fluxo dos fundos e a regulação americana.
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