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Resumo de Mercado
Resumo do dia (18h) Atualizado em 06/11/2026 às 18:00
Sentimento: Cauteloso (45/100)
Ibovespa
168.335 pts +1,29%
Dólar Comercial
R$ 5,50 +0,72%
Bitcoin (BRL)
R$ 419.280 -0,58%
Taxa Selic
13.75% a.a. Meta BC

Mercado em Cautela: Ibovespa Fecha em Alta Moderada Enquanto Criptoativos Enfrentam Desafios

Nesta sexta-feira, 06 de novembro de 2026, o Ibovespa encerrou o pregão em alta de 1,29%, alcançando 168.335,16 pontos, impulsionado principalmente por ações de grandes bancos e commodities, como Vale, que subiu 1,98%. No entanto, a volatilidade no mercado de criptomoedas e as restrições impostas por instituições financeiras, como Nubank e Mercado Pago, geraram um clima de cautela entre os investidores, refletindo preocupações com a estabilidade do setor. O sentimento do mercado é de precaução, especialmente diante das incertezas econômicas globais e locais.

Pontos-Chave para o Investidor
  • • Ibovespa fecha em alta, impulsionado por ações de bancos e commodities.
  • • Câmbio apresenta leve alta do Dólar, com expectativa cautelosa em relação à Selic.
  • • Mercado de criptomoedas enfrenta desafios com restrições de instituições financeiras.
Ações & Bolsa B3

O Ibovespa teve um desempenho positivo, com destaque para a alta de 2,9% das ações do Bradesco (BBDC4) e uma leve queda de 1,39% para a Petrobras (PETR4). As ações da Vale (VALE3) também contribuíram para o avanço do índice.

Câmbio & Cenário Macro

O Dólar Americano fechou em R$ 5,5007, com uma leve alta de 0,72%, enquanto o Euro apresentou uma pequena desvalorização de 0,02%. A expectativa em torno da Selic, atualmente em 13,75%, continua a influenciar o mercado cambial.

Criptoativos

O Bitcoin caiu 0,58%, sendo negociado a R$ 419.279,80, enquanto o Ethereum também enfrentou perdas de 0,99%. A suspensão de operações de criptomoedas por Nubank e Mercado Pago gerou apreensão no ecossistema cripto.

Atualizações automáticas em dias úteis às 10:00 (manhã/horário de brasília) e às 18:00 (fechamento/horário de brasília)
Preço do Ethereum hoje, 08 de novembro de 2026: queda do ETH provoca mudança de US$ 1 bilhão no mercado futuro
Crypto - Ethereum & Smart Contracts

Preço do Ethereum hoje, 08 de novembro de 2026: queda do ETH provoca mudança de US$ 1 bilhão no mercado futuro

ETFs de Ethereum acumulam saídas de US$ 365,2 milhões na semana, O preço do Ethereum (ETH) hoje, domingo, 8 de novembro de 2026, permanece próximo de US$ 2.235, equivalente a aproximadamente R$ 12,3 mil, de acordo com dados do Criptodata, após uma semana de forte volatilidade. A segunda maior criptomoeda do mercado enfrenta dificuldades para recuperar as perdas recentes, enquanto investidores acompanham uma redução expressiva das posições no mercado futuro e a continuidade dos resgates nos ETFs. A pressão ganhou força depois da queda de aproximadamente 7,7% registrada na quinta-feira (5), quando o Ethereum recuou da região de US$ 2.424 para perto de US$ 2.238. A movimentação atingiu principalmente investidores que apostavam na valorização da criptomoeda utilizando alavancagem, provocando liquidações e encerramentos de contratos em grandes corretoras. De acordo com a análise de CW8900 publicada na CryptoQuant, o mercado futuro de Ethereum apresentou uma mudança expressiva no comportamento dos investidores durante a correção. Antes da queda, a variação do interesse em aberto (Open Interest, ou OI) em 24 horas estava positiva em aproximadamente US$ 472 milhões, indicando expansão das posições. Entretanto, após o recuo do preço, o indicador passou para uma variação negativa de US$ 533 milhões. Isso representa uma inversão de aproximadamente US$ 1,005 bilhão na variação diária do interesse em aberto, sinalizando uma mudança brusca na exposição dos investidores aos contratos futuros. O indicador não significa, isoladamente, que todo esse valor tenha sido liquidado compulsoriamente. Segundo o analista, a Binance concentrou o maior volume de posições e registrou a redução mais expressiva. Outras plataformas importantes, como Bybit, Gate e OKX, também apresentaram diminuições relevantes. O movimento envolveu liquidações de posições compradas, conhecidas como longs, e encerramentos de contratos vendidos, chamados de shorts. CW8900 destaca que a queda atingiu especialmente investidores que utilizavam alavancagem elevada na expectativa de novas valorizações do Ethereum. Quando o preço recuou rapidamente, parte dessas operações perdeu as garantias necessárias para permanecer aberta, resultando em liquidações automáticas. Leia também: BlindPay conquista licença para operar pagamentos nos EUA Embora o interesse em aberto tenha começado a se recuperar após o movimento, o indicador ainda permanecia abaixo dos níveis anteriores à correção na análise publicada em 6 de novembro. Isso sugere uma redução temporária da alavancagem, mas não confirma, por si só, o início de uma recuperação sustentada do preço. Ethereum OI por exchange – Imagem: CryptoQuant ETFs de Ethereum perdem US$ 365 milhões e aumentam pressão sobre o preço Além das movimentações no mercado de derivativos, o Ethereum enfrenta uma redução na demanda por fundos negociados em bolsa nos Estados Unidos. Dados da Farside Investors mostram que os ETFs spot de ETH registraram saídas líquidas de US$ 365,2 milhões entre os dias 2 e 6 de novembro, prolongando a sequência de semanas negativas para os produtos de investimento. Somente na quinta-feira (5), os resgates líquidos atingiram US$ 99,9 milhões. No dia seguinte, os fundos registraram novas retiradas de US$ 93,3 milhões, com destaque para o ETHA, da BlackRock, que perdeu US$ 90,8 milhões. Os números indicam que a pressão não ficou restrita aos investidores que operam contratos futuros. O movimento acontece em meio ao aumento da aversão ao risco nos mercados financeiros internacionais. As preocupações com a inflação americana, a trajetória dos juros e as perspectivas regulatórias para o setor de criptomoedas influenciam as decisões de alocação de capital, especialmente em ativos sujeitos a oscilações elevadas. Nos Estados Unidos, o resultado das eleições de meio de mandato também ampliou as discussões sobre o futuro da regulamentação dos ativos digitais. Investidores acompanham possíveis mudanças na composição do Congresso e seus efeitos sobre propostas legislativas, incluindo o CLARITY Act, que busca estabelecer regras mais claras para o mercado americano de criptomoedas. Preço do Ethereum pode cair abaixo de US$ 2.200? A análise técnica publicada pela FXStreet, na sexta-feira (6), indica que o Ethereum permanece pressionado por importantes médias móveis. Na ocasião, o ETH era negociado abaixo das médias móveis exponenciais de 50, 100 e 200 dias, situadas aproximadamente entre US$ 2.312 e US$ 2.397. O Índice de Força Relativa (RSI), próximo de 38 pontos, indicava enfraquecimento da demanda compradora, enquanto o MACD permanecia em território negativo. Esses sinais sugeriam que eventuais tentativas de recuperação poderiam encontrar dificuldades diante da concentração de resistências acima do preço. No cenário de queda, a primeira região de atenção está próxima de US$ 2.210, seguida pelo suporte psicológico de US$ 2.200. Caso essas faixas sejam perdidas, o Ethereum poderá testar a região de US$ 2.183, correspondente à banda inferior de Bollinger identificada na análise técnica. Por outro lado, uma recuperação consistente exigiria inicialmente a superação de US$ 2.312 e US$ 2.334. Acima dessas regiões, os compradores encontrariam novas resistências próximas de US$ 2.348 e US$ 2.397. Um fechamento diário acima desses níveis poderia reduzir a pressão vendedora e abrir espaço para um movimento em direção a US$ 2.434. Por enquanto, o Ethereum enfrenta uma combinação de redução da alavancagem, saídas de recursos institucionais e indicadores técnicos enfraquecidos. A manutenção da região de US$ 2.200 será importante para avaliar se o mercado conseguirá estabilizar os preços ou se uma nova rodada de vendas poderá levar a criptomoeda a suportes inferiores.

Cinco obras bilionárias acumulam atrasos e pressionam governo Lula 4
UOL - Notícias

Cinco obras bilionárias acumulam atrasos e pressionam governo Lula 4

Brasília O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começará seu quarto mandato com o desafio de destravar projetos emblemáticos de infraestrutura, ao mesmo tempo em que contará com menos dinheiro em caixa para investimento, principalmente no setor de transportes. Cinco dessas obras já acumulam atrasos crônicos, sendo algumas delas conhecidas desde a primeira passagem do petista pelo Palácio do Planalto, há mais de 20 anos. Na ferrovia Transnordestina, por exemplo, projeto que começou em 2006, no primeiro mandato de Lula, falta concluir o trecho entre Salgueiro e Suape, em Pernambuco. Publicidade No setor elétrico, o governo ainda precisa decidir o que vai fazer com as obras da usina nuclear de Angra 3, depois de décadas de indefinição sobre concluir ou não o projeto. Por fim, Lula promete concluir as obras de ampliação da transposição do rio São Francisco até o Rio Grande do Norte. Usina de Angra 3 ainda não tem uma decisão final sobre qual será o seu destino - Alexa Salomão - 28.nov.24 /Folhapress Em comum, esses projetos dependem de recursos federais bilionários no momento em que o país encara um forte escrutínio das contas nacionais em meio à alta da dívida pública. Pesa ainda uma série de embates sobre impactos ambientais, como se vê nos casos do pedral e da BR-319, ambas na Amazônia. Publicidade A proposta de Orçamento para 2027 prevê R$ 16,07 bilhões para investimentos federais em infraestrutura de transporte, somando União e estatais, segundo levantamento da CNT (Confederação Nacional do Transporte). São R$ 661,28 milhões a menos do que na proposta de 2026, uma queda de 4% em valores corrigidos pela inflação. Pavimentação da rodovia BR-319, que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM), é vista por ambientalistas como vetor de desmatamento na região - Henrique Santana - 24.abr.26/TV Folha/Folhapress Os valores ainda podem ser alterados pelo Congresso. Depois da aprovação do Orçamento, sua execução depende da liberação dos recursos e do cumprimento das regras fiscais. Em Angra dos Reis, no litoral fluminense, a decisão começa por continuar ou encerrar a construção da terceira usina nuclear brasileira. O projeto vem dos anos 1980, passou por paralisações e teve a retomada autorizada em 2007, no segundo mandato de Lula. As obras voltaram a avançar, mas foram interrompidas em 2015. Em 2021, a Eletronuclear anunciou que a usina estaria em operação em novembro de 2026, o que não foi cumprido. No fim do ano passado, um estudo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) divulgado pela empresa passou a trabalhar com março de 2033 e estimou um custo de R$ 23,9 bilhões para terminar a usina. Se a opção for abandonar as obras, as despesas ficariam entre R$ 21,9 bilhões e R$ 25,9 bilhões. Publicidade A definição cabe ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), formado por ministros. Os cenários examinados incluem participação privada ou conclusão com recursos da União e da ENBPar, estatal que controla a Eletronuclear. A proposta de orçamento de investimentos das estatais reserva R$ 1,12 bilhão para a implantação de Angra 3 em 2027, sem resolver o financiamento integral. Na BR-319, o objetivo é asfaltar a ligação entre Manaus e Porto Velho. Em maio, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) informou que quatro contratos publicados em 2026 somavam mais de R$ 1,3 bilhão para intervenções em mais de 339 quilômetros. O órgão recebeu licença do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para construir três pontes de concreto nesse trecho. O orçamento rodoviário vive um cenário crítico. A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 estimou que são necessários R$ 49,93 bilhões para manutenção, restauração e reconstrução das estradas federais sob gestão pública. Os R$ 12,46 bilhões previstos para o transporte rodoviário em 2027 equivalem a um quarto desse valor. No Pará, o Pedral do Lourenço no leito do rio Tocantins restringe a navegação de cargas. O plano que completou uma década prevê retirar pedras para abrir passagem às embarcações e melhorar o escoamento de grãos e minérios até os portos paraenses. Publicidade O Ministério de Portos e Aeroportos estima o custo de R$ 1,1 bilhão para o empreendimento, que está em fase de projeto executivo. Em Pernambuco, a Transnordestina recoloca diante de Lula uma promessa lançada no primeiro mandato. A ferrovia começou a ser construída em 2006, com previsão original de entrega em 2010. O trecho entre Salgueiro e o porto de Suape, com cerca de 545 quilômetros, não foi entregue. A proposta de Orçamento federal de 2027 reserva R$ 53,4 milhões para a obra. Na transposição do São Francisco, iniciada em 2007, os canais centrais já transportam água, mas há pendências nas ampliações do sistema. A previsão é que seja concluído em 2027. A proposta orçamentária reserva R$ 561 milhões para a ação de integração do Eixo Norte, que reúne diferentes intervenções. O relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) que acompanha a execução de obras federais registrou 4.215 projetos com paralisações em 2026, entre 22.414 empreendimentos fiscalizados. O universo inclui construções executadas por estados e municípios com dinheiro da União. Publicidade À Folha o Ministério dos Transportes afirmou que a análise do Orçamento deve considerar a transferência de rodovias à iniciativa privada. Segundo a pasta, mais de 8.000 quilômetros foram concedidos nos últimos anos, e outros 3.000 quilômetros estão previstos para 2027. Essa transferência deve reduzir em cerca de R$ 2 bilhões anuais a necessidade de despesas públicas com custeio e manutenção. "A concessão de rodovias economicamente atrativas permite direcionar recursos públicos para projetos que o mercado, isoladamente, não conseguiria viabilizar", afirmou a pasta. Sobre as paralisações, o ministério afirmou que "não há nenhum contrato paralisado vinculado ao Ministério dos Transportes" na lista do TCU e que há apenas algumas com ajustes pontuais. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões Para a BR-319, o ministério informou que pretende realizar um leilão de parceria público-privada em dezembro de 2027, condicionado à conclusão das etapas técnicas, ambientais e regulatórias. O Dnit afirmou que os quatro lotes de melhoramentos, abrangendo aproximadamente 339,4 quilômetros, estão contratados. No Pedral do Lourenço, o Dnit informou que o empreendimento está em pré-mobilização. "As intervenções diretas sobre o maciço rochoso submerso ainda não foram iniciadas." Publicidade O cronograma prevê começar o derrocamento em março de 2027, com conclusão e desmobilização em dezembro de 2030. O Ministério de Portos e Aeroportos declarou que cada etapa depende do cumprimento das exigências técnicas e ambientais. Sobre a Transnordestina até Suape, o Ministério dos Transportes afirmou que já tem um contrato de obra pública firmado e que projetos estão em elaboração. "A retomada das obras físicas depende da conclusão dessas etapas e do atendimento das exigências dos órgãos de controle." A estatal Infra S.A. informou que contratou as obras de um lote de 73 quilômetros. "A expectativa é de início das atividades de execução das obras em breve", declarou. A estatal também avalia as condições de 175 quilômetros já executados. O Ministério de Minas e Energia afirmou que a retomada de Angra 3 permanece em discussão no CNPE. Segundo a pasta, o colegiado também precisa autorizar o contrato de comercialização da energia, com definição do preço e prazo de fornecimento de 40 anos. A Eletronuclear disse que "a conclusão de Angra 3 é estratégica para o país e depende da estruturação de um modelo de financiamento sustentável, associado a uma solução de comercialização de energia que assegure a viabilidade econômico-financeira do empreendimento". Publicidade A estatal disse que "tem preservado as condições técnicas e institucionais necessárias para subsidiar a decisão dos acionistas e da União quanto à continuidade do empreendimento, disponibilizando os elementos necessários à avaliação de sua viabilidade". O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional disse que mantém a previsão de executar obras estruturantes da transposição em 2027, com a ampliação da capacidade de bombeamento do Eixo Norte. A Casa Civil afirmou que acompanha permanentemente a carteira do Novo PAC, em articulação com ministérios, estados e municípios. "Cada obra avança de acordo com a sua maturidade, considerando etapas como elaboração de projeto, licenciamento ambiental, contratação e execução."

B3 apresenta projeto para negociar ações 24 horas por dia com tecnologia blockchain
B3

B3 apresenta projeto para negociar ações 24 horas por dia com tecnologia blockchain

Bolsa brasileira apresentou projeto para permitir compra e venda de ações tokenizadas inclusive aos fins de semana e feriado A B3 apresentou na sexta-feira (6) um projeto para permitir a negociação de ações 24 horas por dia, sete dias por semana, incluindo madrugadas, fins de semana e feriados. A proposta utiliza tecnologia blockchain para criar versões tokenizadas dos papéis negociados na bolsa brasileira e prevê a possibilidade de liquidar as operações praticamente de forma instantânea, eliminando a espera de dois dias úteis que existe atualmente. O modelo foi apresentado durante o 2º Encontro com o Mercado do Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT), promovido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em São Paulo. Participaram da apresentação os representantes da B3 Eduardo Alexandre Marques Silva, Carlos Alberto Spina Junior e Raphael de Almeida Torlay, que detalharam a arquitetura tecnológica e os desafios envolvidos na implementação do sistema. A iniciativa busca aproximar o mercado tradicional de ações da experiência oferecida pelas corretoras de criptomoedas, nas quais é possível negociar ativos como Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) a qualquer hora do dia, independentemente do funcionamento das bolsas de valores. Atualmente, as ações negociadas na B3 seguem horários específicos de funcionamento do pregão. Além disso, quando um investidor compra ou vende um papel, a liquidação da operação acontece em D+2, ou seja, dois dias úteis depois da negociação. Com a proposta apresentada, a B3 pretende testar um ambiente em que essas operações poderão ocorrer continuamente, com transferência dos ativos e do pagamento no mesmo momento. A bolsa ressaltou, entretanto, que o projeto ainda está em fase experimental e não representa o lançamento imediato de um mercado de ações com funcionamento ininterrupto. A implementação dependerá dos resultados dos testes e de eventuais mudanças nas regras do mercado de capitais brasileiro. Como funcionaria a negociação de ações 24 horas por dia A principal mudança proposta pela B3 é a criação de um segundo ambiente de negociação, conectado à infraestrutura tradicional da bolsa, mas capaz de funcionar sem interrupções. Nesse modelo, os investidores poderiam negociar representações digitais de ações existentes, mesmo quando o pregão convencional estivesse fechado. A tecnologia utilizada é baseada no conceito de digital twin, ou gêmeo digital. Na prática, cada token representaria uma ação registrada na infraestrutura tradicional da B3, permitindo que o ativo seja movimentado em um ambiente baseado em blockchain. Os representantes da bolsa explicaram que a titularidade oficial das ações continuaria registrada na depositária central, responsável por controlar os registros dos valores mobiliários. Quando determinada quantidade de ações fosse transferida para uma estrutura específica, seria possível emitir os tokens correspondentes. O processo inverso permitiria destruir essas representações digitais e devolver os ativos ao ambiente tradicional. Essas operações são conhecidas no mercado de criptomoedas como mint e burn, termos utilizados para descrever, respectivamente, a criação e a destruição de tokens. O objetivo é garantir que as ações tokenizadas mantenham correspondência com os ativos originais, preservando os direitos dos investidores e evitando a criação de representações digitais sem respaldo nos registros da bolsa. A infraestrutura também precisará permitir a conciliação entre os dois ambientes e acompanhar eventos corporativos, como pagamentos de dividendos, desdobramentos de ações, grupamentos, fusões e outras operações capazes de alterar as características dos papéis. Outro ponto importante é que, segundo a apresentação, a negociação das ações não aconteceria diretamente na blockchain. A B3 pretende manter um sistema específico para executar as ordens de compra e venda, utilizando a tecnologia de registro distribuído principalmente para a representação dos ativos e a liquidação das operações. A proposta também contempla a utilização de dinheiro tokenizado para concluir as transações. Questionado sobre a necessidade de uma stablecoin, Eduardo Alexandre Marques Silva afirmou que esse tipo de tecnologia não seria obrigatório, mas poderia representar a alternativa mais adequada. “Não é necessária, mas o ideal seria que sim, a gente tivesse uma moeda tokenizada”, afirmou. A ideia é utilizar um mecanismo conhecido como liquidação atômica, no qual a transferência da ação tokenizada e a entrega do pagamento acontecem simultaneamente. Dessa forma, o comprador receberia o ativo no mesmo momento em que o vendedor recebesse o dinheiro, reduzindo o risco de uma das partes cumprir sua obrigação enquanto a outra ainda não realizou a transferência. Além de acelerar as operações, a tecnologia poderia reduzir determinadas etapas de conciliação e processamento utilizadas na infraestrutura financeira tradicional. A B3, porém, não pretende abandonar imediatamente o modelo atual. Os representantes da bolsa destacaram que o sistema convencional de compensação e liquidação continuará tendo vantagens, especialmente na eficiência financeira proporcionada pela compensação de diferentes operações. A proposta é permitir a convivência entre as duas estruturas, oferecendo alternativas conforme as características de cada mercado. B3 prepara testes com a CVM, mas lançamento ainda depende de regulação A apresentação desta sexta-feira representa uma evolução dos planos que a B3 já havia anunciado para o mercado de ações tokenizadas. Em outubro, Humberto Costa, diretor de Produtos de Balcão e Ativos Digitais da bolsa, afirmou que a companhia pretendia iniciar a negociação de ações tokenizadas em janeiro de 2027. Na ocasião, entretanto, o executivo explicou que o lançamento inicial não contemplaria operações 24 horas por dia nem liquidação instantânea. A proposta era permitir que os ativos tokenizados fossem negociados no mesmo livro de ofertas das ações tradicionais, preservando a liquidez do mercado e mantendo a liquidação em D+2, conforme as exigências regulatórias atuais. Costa também afirmou que a B3 possui capacidade tecnológica para tokenizar todas as ações negociadas em sua plataforma, embora ainda não tenha definido quantos papéis estarão disponíveis na primeira etapa. O projeto apresentado nesta sexta-feira vai além dessa implementação inicial, explorando a possibilidade de criar uma infraestrutura paralela com negociação ininterrupta e liquidação praticamente imediata. Para isso, a B3 pretende realizar uma sequência de testes durante aproximadamente oito semanas, avaliando desde a emissão e destruição de tokens até a execução das transações e sua integração com os sistemas de supervisão. Outro aspecto importante é a possibilidade de a CVM acompanhar as movimentações do mercado em tempo real. Segundo Raphael de Almeida Torlay, a estrutura em desenvolvimento contará com interfaces de programação, conhecidas como APIs, que permitirão ao regulador consultar informações sobre transações, participantes e registros produzidos durante os experimentos. Esses acessos serão exclusivamente para leitura, permitindo que a autarquia acompanhe as operações e realize auditorias sem interferir diretamente no funcionamento da rede. O modelo busca facilitar a identificação de movimentações suspeitas e a reconstrução das transações, mas também apresenta desafios relacionados à fiscalização de um mercado que não fecha. Durante a apresentação, os representantes da B3 reconheceram que um ambiente de negociação funcionando continuamente exigirá mecanismos de monitoramento capazes de identificar irregularidades e responder a incidentes durante madrugadas, feriados e fins de semana. Ferramentas de inteligência artificial poderão contribuir para esse acompanhamento, mas a bolsa avalia que a tecnologia precisará ser combinada com equipes de suporte e estruturas de supervisão adequadas. Os testes fazem parte de um movimento mais amplo de modernização do mercado de capitais brasileiro. Em outubro, a CVM publicou a Resolução 249, que criou o Programa Piloto DLT para permitir experimentos envolvendo emissão, negociação, custódia e liquidação de valores mobiliários por meio de redes de registro distribuído. A regulamentação permite testar diferentes modelos de tokenização, incluindo ações, debêntures, cotas de fundos e outros instrumentos financeiros. Entretanto, as operações realizadas nesse ambiente devem utilizar exclusivamente ativos e recursos fictícios, sem envolver investidores reais ou movimentações financeiras efetivas. O objetivo é avaliar a viabilidade técnica, operacional e jurídica dessas estruturas, identificar possíveis riscos e fornecer informações para futuras decisões regulatórias. A CVM também pretende estudar como novas tecnologias poderão contribuir para tornar o mercado de capitais mais eficiente, mantendo mecanismos de proteção aos investidores e de fiscalização das operações. No caso da B3, a implementação comercial de um pregão 24 horas ainda dependerá da avaliação dos resultados dos testes e de mudanças nas regras aplicáveis à negociação e à liquidação de ações. A bolsa não anunciou uma data para disponibilizar esse modelo aos investidores. Caso a proposta avance, entretanto, ela poderá representar uma transformação importante no funcionamento do mercado acionário brasileiro, aproximando a negociação de ações da dinâmica das criptomoedas e permitindo que investidores comprem e vendam ativos fora dos horários tradicionais das bolsas de valores.

Karpathy cria HackerTube com Claude e 20 anos de Hacker News
Hacker

Karpathy cria HackerTube com Claude e 20 anos de Hacker News

O pesquisador Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI e atual pesquisador da Anthropic, construiu em um fim de semana uma plataforma de vídeos com curadoria automatizada, o HackerTube. O sistema, baseado no modelo Opus 5.5 do Claude, analisou 43 milhões de comentários acumulados em 20 anos do Hacker News, fórum de tecnologia, e selecionou 6.454 vídeos que seguem sendo recomendados ali. Segundo publicação dele na rede X, o resultado é claramente superior às recomendações do YouTube. Como o projeto foi montado O site dispensa cadastro e troca as miniaturas elaboradas por um único quadro extraído do meio de cada vídeo. As preferências ficam guardadas no próprio navegador. O diferencial está na matéria-prima: em vez de medir popularidade por visualizações, o filtro parte de comentários de uma comunidade técnica acumulados ao longo de duas décadas, sinal de interesse que não depende de cliques ou de miniaturas. Quase todo o trabalho ficou com o Claude Code, ferramenta da Anthropic que executa tarefas de programação a partir de instruções em linguagem natural. Karpathy diz que suas únicas etapas manuais foram obter uma chave de API do Google Cloud, espécie de credencial de acesso a serviços externos, alugar um servidor e comprar o domínio. Em seguida, Karpathy montou o TristanTube em uma única tentativa, com 3 minutos de execução, usando 47.000 vídeos extraídos de uma lista de canais do YouTube organizada por Tristan Hume. Os números do experimento Indicador Valor Comentários analisados 43 milhões Período do Hacker News 20 anos Vídeos no HackerTube 6.454 Vídeos no TristanTube 47.000 Tempo do TristanTube 3 minutos Leitura para o investidor O dado de maior peso econômico talvez seja o prazo, e não o site. Segundo Karpathy, projetos que levavam semanas agora podem sair em poucas horas. Se essa redução se confirmar em escala, o custo de criar produtos digitais tende a cair, favorecendo quem já tem distribuição e dados próprios e pressionando empresas cuja vantagem depende apenas de software fácil de replicar. No caso de recomendação, a comparação com o YouTube pesa porque a plataforma pertence à Alphabet (GOOGL), cuja receita publicitária depende do tempo que o usuário passa assistindo. Ainda assim, um experimento individual não permite estimar impacto financeiro sobre a companhia, já que não há números publicados de audiência, retenção ou comparação direta. A conclusão de superioridade também se apoia numa avaliação pessoal do autor, sem indicadores como tempo de exibição ou abandono. O episódio mostra a velocidade com que a IA encurta o desenvolvimento de software, mas não comprova ganho de participação de mercado para nenhuma empresa listada. Na prática, o caso funciona como indicador de tendência e não como base para decisões de alocação.

Economia brasileira pode entrar em recessão em 2027, alertam especialistas
Notícias de Economia

Economia brasileira pode entrar em recessão em 2027, alertam especialistas

Projeções de bancos e institutos de pesquisa indicam que o crescimento do PIB pode ser estagnado ou negativo no próximo ano devido à alta dos juros, aumento da dívida das famílias e falta de clareza fiscal do governo. A economia brasileira corre o risco de entrar em recessão em 2027. Essa previsão é baseada no rápido endurecimento das condições financeiras, com juros e dólar em alta, e no enfraquecimento dos setores que impulsionaram a atividade econômica recentemente. Especialistas do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), além de consultorias e bancos, estimam uma expansão do PIB (Produto Interno Bruto) de apenas 1% em 2027. No entanto, uma queda na produção (recessão) não está descartada. O Ibre-FGV alerta que, se a piora financeira continuar, os setores de comércio, indústria e serviços podem cair 0,5% em 2027. Bancos como Itaú e Safra já rebaixaram suas projeções, apontando para um cenário de estagnação ou contração. O economista Sérgio Vale compara a situação a um 'mini-2015', sem a Lava Jato, mas com risco fiscal elevado. O número de inadimplentes recorde e a alta dos juros domésticos (9,5% a 9,7%) estão sufocando o consumo das famílias. A taxa de desemprego, que estava em patamares mínimos, deve subir de 5,6% para quase 7% em 2027. Setores exógenos perdem força e aumentam a vulnerabilidade No cenário pessimista do Ibre-FGV, mesmo que os setores dependentes de clima e mercado internacional (agropecuária e indústria extrativa) mantenham um crescimento de 1%, o PIB ficaria estagnado. Isso acontece porque a contribuição desses setores deve cair drasticamente em 2027, tornando a economia mais dependente das atividades cíclicas (comércio, indústria e serviços), que estão em dificuldade. Essa mudança na estrutura do crescimento é o principal fator de risco. Nos anos de 2023 a 2025, a agropecuária e a indústria extrativa sustentaram cerca de um terço do crescimento. Para 2027, a desaceleração na produção de petróleo e no campo remove esse suporte, deixando a economia exposta à fragilidade do consumo interno. Alta de juros e incerteza fiscal complicam o cenário O ambiente para as atividades que dependem do ritmo econômico tornou-se desfavorável. O Indicador de Condições Financeiras (ICF) do Ibre-FGV atingiu níveis restritivos. Isso foi causado pela alta dos juros internacionais e pelo aumento das taxas reais de juros no Brasil, que oscilaram entre 9,5% e 9,7% ao ano, acima da inflação. Essa situação joga o impulso do crédito para o negativo, ou seja, encarece o empréstimo a ponto de desestimular investimentos e compras. A indefinição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre como resolver a crise fiscal do país, considerada a raiz dos juros altos por economistas, complicou o cenário após o segundo turno eleitoral. Como consequência, os juros de mercado subiram, o dólar disparou e a Bolsa de Valores caiu. Endividamento das famílias ameaça consumo e gera recessão Para Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro Ibre, haveria um 'purgatório' econômico mesmo se o governo agisse para ajustar as contas. Ela explica que o excesso de gastos públicos e o endividamento privado podem ser absorvidos com o tempo, sem uma recessão técnica, desde que haja um ajuste fiscal crível que reduza os juros. No entanto, sem medidas efetivas, Matos vê aumentar o risco de uma crise de crédito. Estudos do Banco Central e a literatura internacional mostram que ciclos de crescimento apoiados em muito crédito são seguidos por fases de contração. No Brasil, a concentração de dívidas em empréstimos caros e de prazos curtos afeta principalmente os 20% mais pobres, que têm dificuldade para quitar os débitos. Recorde de inadimplentes e impacto no orçamento das famílias Dados da Serasa mostram que o país atingiu 84,2 milhões de inadimplentes em setembro, o maior número já registrado. Isso representa 51,1% da população adulta. Cada pessoa com restrição deve, em média, R$ 7.094, e o valor médio de cada dívida é de R$ 1.693. A renda média mensal atual é de R$ 3.790. O peso dessas dívidas força um corte severo no consumo de bens e serviços, aprofundando a queda na atividade econômica e retardando a recuperação. O ex-diretor do Banco Central José Júlio Senna chama isso de 'desequilíbrio patrimonial'. Ele explica que famílias e empresas endividadas cortam gastos para se ajustar, o que derruba a economia. 'Pode ser cedo para falar em recessão, mas isso não está descartado. Embora a economia opere acima de seu potencial e o desemprego esteja baixo, tudo perde gás rapidamente', afirma Senna. Embora a taxa de desemprego esteja em mínimos históricos (projetada em 5,6% para 2026), ela deve mudar de direção. Com a perda de dinamismo das atividades cíclicas, projeta-se que a taxa de desocupação suba para quase 7% em 2027. Acompanhando a deterioração das vagas de emprego, a Renda Nacional Disponível Bruta Restrita das famílias, que sustenta o consumo, sofreu desaceleração acentuada. Após avançar a um ritmo real de 7,3% ao ano entre 2021 e 2025, o crescimento mensal da renda caiu para apenas 0,1% no acumulado de janeiro a agosto de 2026.

Michael Saylor sugere nova compra estratégica de Bitcoin pela Strategy
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Michael Saylor sugere nova compra estratégica de Bitcoin pela Strategy

Strategy destinou US$ 208,2 milhões à recompra de STRC e US$ 65,5 milhões ao Bitcoin Saylor publicou gráfico de acumulação sem confirmar nova aquisição MSCI anuncia revisão de índices em 11 de novembro A Strategy destinou à recompra de ações preferenciais mais de três vezes o valor aplicado em bitcoin no último período divulgado. Foram US$ 208,2 milhões em STRC, contra US$ 65,5 milhões na aquisição de 811 BTC. Neste domingo, 8 de novembro, Michael Saylor sinalizou outra possível compra, sem apresentar números. O presidente executivo publicou seu gráfico habitual de acumulação com a expressão “Connecting the dots”, ou “conectando os pontos”. Mensagens semelhantes antecederam divulgações de compras da companhia. A publicação, porém, não confirmou uma operação nem atualizou as reservas. CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE O estoque informado permanece em 849.327 BTC, com posição em 1º de novembro. A próxima atualização terá de mostrar quanto a empresa comprou e como financiou eventuais aquisições posteriores. Entre 26 de outubro e 1º de novembro, a Strategy pagou US$ 80.846 por unidade, incluindo taxas e despesas. O comunicado de 2 de novembro encerrou uma semana sem novas aquisições. Para financiar a operação, a companhia vendeu 1.178.552 ações ordinárias MSTR no programa de ofertas diretamente no mercado. A emissão gerou US$ 164 milhões líquidos. Desse total, US$ 98,5 milhões reforçaram o caixa, enquanto o restante custeou a compra. A divisão corresponde a aproximadamente 40% dos recursos captados para Bitcoin e 60% para caixa, conforme cálculo sobre os valores divulgados. A emissão, assim, não se converteu integralmente em criptomoeda. A destinação também impede equiparar automaticamente captação bruta e demanda efetiva pelo ativo. Não houve venda de preferenciais naquele intervalo. Os relatórios corporativos, disponíveis na página da Strategy, distinguem compras de Bitcoin, emissões de títulos e movimentações de caixa. A empresa costuma detalhar essas operações em formulários 8-K enviados à SEC. Recompra de STRC consome US$ 208,2 milhões Com dinheiro já disponível em dólares, a Strategy recomprou 2.092.035 ações STRC. A operação ocorreu separadamente da aquisição de BTC. Em 1º de novembro, a reserva designada em dólares somava US$ 4,79 bilhões, além de US$ 132,7 milhões em caixa separado. Pelos números informados, a recompra teve desembolso médio próximo de US$ 99,52 por ação. O cálculo divide o gasto total pela quantidade adquirida. Esse valor representa o custo médio da operação, sem indicar a cotação atual do papel. A STRC distribui dividendos com taxa variável mensal, mecanismo destinado a favorecer negociações próximas do valor declarado de US$ 100. Ao retirar preferenciais de circulação, a empresa reduz a quantidade de títulos que gera obrigações de dividendos. Já a emissão de MSTR amplia o número de ações ordinárias. O efeito sobre a exposição ao Bitcoin por ação depende da relação entre recursos captados, preço pago e novas ações emitidas. No sábado, Saylor apresentou a estrutura financeira desses produtos em outra publicação. Ele chamou as preferenciais de “crédito digital” e descreveu a possibilidade de emitir títulos para captar recursos ou recomprá-los para reduzir obrigações. Bitcoin fica 6,2% abaixo do custo da última compra O Bitcoin estava em US$ 75.847 na atualização de 8 de novembro, às 11h04 de Brasília. A cotação ficava aproximadamente 6,2% abaixo do preço médio da aquisição mais recente. Sobre o custo médio de todo o estoque, de US$ 75.451, a diferença era positiva em apenas 0,5%. A Strategy informou desembolso acumulado de US$ 64,08 bilhões para formar suas reservas. As saídas de ETFs acompanham essa pressão: os fundos americanos de Bitcoin registraram resgates líquidos de cerca de US$ 1,28 bilhão entre 2 e 6 de novembro. Em 11 de novembro, a MSCI deverá divulgar sua revisão de índices, incluindo a discussão sobre empresas concentradas em tesourarias digitais. A Strategy estimou que fundos vinculados aos índices relevantes detinham 13 milhões de ações MSTR, equivalentes a 3,1% das ações básicas.

Inflação e balanços de tecnologia definem a semana
Calendário Econômico

Inflação e balanços de tecnologia definem a semana

Inflação e balanços definem a agenda dos mercados O governo dos Estados Unidos publicará o CPI de outubro na terça-feira, 10 de novembro, com projeção próxima de 3,9%. A CoreWeave apresentará seus resultados após o fechamento de terça-feira. Analistas esperam prejuízo de cerca de US$ 1,45 por ação. Cisco Systems e Applied Materials divulgarão seus balanços após o fechamento de quinta-feira. O Índice de Preços ao Produtor, os pedidos de seguro-desemprego e os discursos do Fed completam a agenda. A Nvidia apresentará seus resultados em 17 de novembro, após o encerramento da semana analisada. Wall Street inicia a semana de 9 a 13 de novembro de 2026 após um período difícil para as ações de tecnologia. Os papéis recuaram diante das preocupações com investimentos em inteligência artificial e condições financeiras mais restritivas. As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos também ampliaram a cautela. Agora, investidores aguardam novos dados para definir seus próximos movimentos. As ações de tecnologia registraram as perdas mais intensas durante a liquidação recente. Enquanto isso, o Bitcoin e o mercado de criptomoedas também recuaram nos últimos dias. Dessa forma, operadores observam se os preços encontrarão estabilidade ou manterão a trajetória de queda. A agenda reúne dois relatórios de inflação, três balanços de empresas de tecnologia e discursos de dirigentes do Federal Reserve. Além disso, os fluxos dos ETFs de Bitcoin continuam no radar dos investidores. Nesse contexto, o mercado procura sinais de retorno dos compradores institucionais após as vendas recentes. CPI dos Estados Unidos entra no radar O Bureau of Labor Statistics publicará o CPI de outubro na terça-feira, às 8h30 no horário do leste dos Estados Unidos. O indicador acompanha os preços pagos pelas famílias por bens e serviços. Por isso, o mercado considera o relatório uma das principais medidas de inflação do país. Fonte: Forex Factory Economistas projetam inflação anual próxima de 3,9%, ante 3,7% em setembro, conforme estimativas reportadas pela Associated Press. O Bitcoin acompanha as mudanças nas expectativas sobre juros e liquidez do dólar. Assim, operadores do mercado de criptomoedas devem observar atentamente os dados de terça-feira. Ethereum e outras grandes criptomoedas também costumam reagir aos mesmos indicadores econômicos. Ao mesmo tempo, mineradoras que avançam para data centers acompanham as condições de financiamento da inteligência artificial. Esse movimento ganha importância diante dos elevados investimentos necessários para ampliar a infraestrutura computacional. Dados de emprego e discursos do Fed completam semana Na quinta-feira, o governo publicará os pedidos semanais de seguro-desemprego e os dados de vendas de casas existentes. Vários dirigentes do Federal Reserve também discursarão antes da decisão de juros de dezembro. Com isso, investidores buscarão indicações sobre os próximos passos da política monetária americana. Já na sexta-feira, às 8h30 no horário do leste dos Estados Unidos, o governo apresentará o Índice de Preços ao Produtor de outubro. O relatório mede as mudanças nos preços recebidos pelos produtores americanos. Portanto, o indicador oferecerá uma segunda leitura da inflação após os dados ao consumidor. CoreWeave testa demanda por inteligência artificial A CoreWeave apresentará seus resultados do terceiro trimestre após o fechamento de terça-feira. A empresa fornece capacidade de computação em nuvem baseada em chips avançados da Nvidia. Por isso, seus números funcionam como um termômetro da demanda por infraestrutura de inteligência artificial. Resultados da semana de 9 de novembro de 2026: $NU, $NBIS, $RKLB, $CRWV, $TTWO, $CBRS, $ZETA, $WSE, $ASTS, $TE, $CSCO, $CEG, $BW, $QBTS, $ONON, $QMCO, $MARA, $AMAT, $HIMS, $RGTI, $MNDY, $PLUG, $FPS, $APPS, $ONDS, $SBET, $RUM, $TTD e $GO. Earnings Whispers, no X. Investidores questionam se os grandes aportes em data centers podem gerar lucros consistentes. Analistas esperam prejuízo de cerca de US$ 1,45 por ação para a CoreWeave, conforme o calendário da Stock Titan. Nesse sentido, o mercado acompanhará receita, gastos, financiamento por dívida e projeções da companhia. Cisco e Applied Materials antecedem Nvidia Por sua vez, Cisco Systems e Applied Materials apresentarão seus resultados após o fechamento de quinta-feira. A Cisco deve registrar lucro de aproximadamente US$ 1,15 por ação. Já a Applied Materials deve reportar cerca de US$ 4,06 por ação. Investidores avaliarão a procura por equipamentos de rede destinados aos data centers de inteligência artificial. Na sequência, o mercado observará os gastos com tecnologias avançadas para produção de chips. Esses números podem indicar o ritmo dos investimentos na infraestrutura necessária aos novos sistemas computacionais. Os dois balanços antecedem os resultados da Nvidia, previstos para terça-feira, 17 de novembro. Ao mesmo tempo, ações de fabricantes de chips, como a AMD, devem permanecer em foco. Assim, inflação, política monetária e investimentos em inteligência artificial concentrarão a atenção dos mercados.

Crise abre janela para quem investe em imóveis no longo prazo
Fundos Imobiliários Brasileiros

Crise abre janela para quem investe em imóveis no longo prazo

SPX Capital investe R$ 938 milhões em imóveis comerciais, incluindo edifício de escritórios em São Paulo e participações em três shoppings. Enquanto boa parte do mercado financeiro trabalha na defensiva, uma das gestoras mais conhecidas do país resolveu ir às compras. A SPX Capital fechou a aquisição de quase R$ 1 bilhão em imóveis comerciais, num movimento que expõe uma lógica antiga do investimento imobiliário: os melhores preços costumam aparecer quando o ambiente está mais pesado. O negócio foi revelado pelo portal Metro Quadrado nesta sexta-feira (06). O comprador é o SPX Portfólio Alfa, fundo imobiliário novo da gestora, que captou mais de R$ 1 bilhão com cerca de 19,2 mil investidores pessoas físicas. A vendedora é a HBR Realty, holding da família Borenstein, que assumiu o controle da incorporadora Helbor uma semana antes. O que a SPX comprou? A operação soma R$ 938 milhões. Desse total, R$ 562,6 milhões são pagos à vista e R$ 375,1 milhões em quatro parcelas anuais corrigidas pelo IPCA. O pacote inclui 90,91% do Lead Corporate, edifício de escritórios na Avenida Faria Lima, em São Paulo, e participações em três shoppings: 50% do Patteo Olinda Shopping, na Região Metropolitana do Recife, 25% do Suzano Shopping e 20% do Mogi Shopping, ambos na Grande São Paulo. Segundo a reportagem, a gestora acompanhava parte desses ativos havia sete anos, sem conseguir chegar a um preço que considerasse adequado. Juro alto empurra empresas a vender O que mudou foi o custo do dinheiro. A Selic começou 2026 em 15% ao ano e, mesmo depois de uma sequência de cortes, segue acima de 13%. Com dívida cara, empresas donas de imóveis passam a vender ativos para reduzir o endividamento. Para quem tem caixa, essa pressa do vendedor vira poder de negociação. “E eu acredito que essa será uma tônica importante de 2027, vai ter muita monetização de ativo”, afirmou Pedro Daltro, sócio de real estate da SPX, ao Metro Quadrado. Leia também Por que olhar para o médio e o longo prazo? A tese da gestora se apoia em três pontos que ajudam qualquer investidor a ler o momento. O primeiro é a oferta, tendo em vista que nos escritórios da Faria Lima, a demanda voltou e há poucos prédios novos a caminho. “Vamos vivenciar cinco anos de pouca oferta”, disse Daltro. O segundo é a qualidade do ativo. Nos shoppings, a SPX buscou empreendimentos com espaço para crescer, seja com novas lojas, troca de mix ou usos residenciais, e que sejam o principal centro de compras da sua região. O terceiro é a proteção. Em cenário de inflação, déficit fiscal e conflitos internacionais, imóveis voltam a ser vistos como ativo real, capaz de preservar valor. “Quando o mundo tinha medo de inflação comprava ouro e real estate”, resumiu o gestor. O que o pequeno investidor pode tirar do caso? A principal lição é de comportamento. Quem compra imóvel pensando em cinco ou dez anos tende a encontrar preços melhores quando o vendedor precisa de liquidez, e não quando o mercado está eufórico. Para a pessoa física, o caminho mais acessível costuma ser o fundo imobiliário, que permite entrar nesse tipo de ativo com pouco dinheiro. Ainda assim, a estratégia exige paciência e análise. Juro alto por mais tempo, vacância nos imóveis e dificuldade para vender cotas em momentos de estresse são riscos reais, que pesam mais para quem precisa do dinheiro no curto prazo. Continue acompanhando Acompanhe no Paraíba Business as principais movimentações do mercado imobiliário, oportunidades de investimento e tendências que impactam a economia brasileira.

Preço do Bitcoin hoje, 08 de novembro de 2026: BTC em US$ 75 mil após surpresa nos EUA e fuga de US$ 1,2 bilhão dos ETFs
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Preço do Bitcoin hoje, 08 de novembro de 2026: BTC em US$ 75 mil após surpresa nos EUA e fuga de US$ 1,2 bilhão dos ETFs

Relatório de emprego americano aumenta expectativa de alta dos juros O preço do Bitcoin (BTC) hoje, na manhã deste domingo, 08 de novembro de 2026, está cotado em R$ 423.832,33, de acordo com dados do Criptodata. O BTC praticamente não se moveu nas últimas 24, permanecendo no nível de US$ 75 mil. Preço do Bitcoin 08 de novembro de 2026 – Imagem: Coinmarketcap O relatório de empregos americanos surpreendeu o mercado não apenas pela criação de vagas, mas também pela revisão dos números anteriores. Segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS), a geração de empregos em setembro foi revisada de 29 mil para 60 mil, reforçando a percepção de que a economia dos Estados Unidos continua aquecida. O resultado representa um desafio para o Bitcoin porque juros mais elevados tornam aplicações tradicionais de renda fixa relativamente mais atraentes. Além disso, o fortalecimento do dólar e a redução da liquidez podem pressionar ativos que dependem de maior disposição dos investidores para assumir riscos. Leia também: BlindPay conquista licença para operar pagamentos nos EUA A turbulência também atingiu as bolsas americanas. Na quinta-feira (5), o S&P 500 despencou 4,4%, enquanto o Nasdaq perdeu aproximadamente 5,5%, em uma forte liquidação de ações relacionadas à inteligência artificial. Na sexta-feira, porém, os índices apresentaram recuperação parcial, com o S&P 500 avançando 0,3% e o Nasdaq subindo 1,1%. No mercado de criptomoedas, outro fator negativo é a retirada de capital dos fundos negociados em bolsa. De acordo com dados da Farside Investors, os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos acumularam saídas líquidas de US$ 1,28 bilhão entre os dias 2 e 6 de novembro. Somente na sexta-feira, os resgates líquidos chegaram a US$ 411,9 milhões. O IBIT, da BlackRock, respondeu por US$ 403 milhões em saídas, enquanto o FBTC, da Fidelity, registrou entradas de US$ 42,8 milhões. O movimento mostra que o interesse institucional permanece pressionado, apesar da diferença de comportamento entre os fundos. Bitcoins antigos estão chegando às exchanges: sinal de novas vendas? Além das dificuldades macroeconômicas, o mercado acompanha uma mudança importante no comportamento dos investidores de longo prazo. Uma análise publicada pelo especialista identificado como nocoffeenobrain aponta um aumento na transferência de Bitcoins antigos para corretoras centralizadas desde junho, com aceleração observada no final de outubro. Segundo o analista, a movimentação ganhou intensidade no período posterior aos incidentes de segurança envolvendo dispositivos Ledger, em 9 de outubro, e a Binance, em 29 de outubro. Entretanto, ele ressalta que ainda não existem evidências suficientes para estabelecer uma relação direta entre os acontecimentos e o aumento das transferências. Os dados da plataforma CoinGlass ajudam a dimensionar a movimentação. Em 6 de novembro, o indicador de entradas de Bitcoin de investidores de longo prazo nas exchanges registrava aproximadamente 6.876 BTC, volume 65,2% superior ao observado sete dias antes. Tradicionalmente, o envio de moedas antigas para exchanges é acompanhado com atenção porque pode representar preparação para vendas. Investidores que mantiveram seus Bitcoins por meses ou anos podem utilizar essas plataformas para realizar lucros, reduzir exposição ou reorganizar suas posições. Entretanto, nocoffeenobrain apresenta outra possibilidade: parte dos investidores pode estar reconsiderando sua estratégia de custódia depois dos recentes incidentes de segurança. Nesse cenário, algumas transferências poderiam representar uma mudança na forma de armazenar os ativos, e não necessariamente uma intenção imediata de venda. A hipótese ainda não foi comprovada. Transferir Bitcoin para uma exchange não significa necessariamente vender, já que os recursos também podem ser utilizados para garantias, operações financeiras ou simples transferência de custódia. Ainda assim, o aumento dos depósitos amplia a quantidade de moedas potencialmente disponíveis para negociação. Bitcoin long term Bitcoin pode cair para US$ 70 mil ou recuperar US$ 80 mil? Do ponto de vista técnico, a região de US$ 75 mil permanece como um suporte importante para o Bitcoin. A criptomoeda chegou a negociar abaixo desse patamar durante a sessão de sexta-feira, mas conseguiu recuperar parte das perdas e permanece próxima da região neste domingo. Caso os compradores consigam defender esse nível, o BTC poderá buscar inicialmente a região de US$ 78 mil e, posteriormente, testar novamente a resistência de US$ 80 mil. Esse cenário dependerá, entre outros fatores, de uma redução da pressão sobre os ETFs, estabilização das bolsas americanas e melhora das condições de liquidez. Leia também: ONU destaca força do Brasil em blockchain e diz que país tem estrutura para transformar o agronegócio Por outro lado, uma perda consistente dos US$ 75 mil poderia abrir espaço para movimentos em direção aos US$ 72 mil. Em um cenário de maior aversão ao risco, a faixa entre US$ 68 mil e US$ 70 mil também aparece como uma possível região de atenção para os investidores. Esses valores representam cenários técnicos condicionais, e não projeções garantidas. O comportamento dos títulos americanos, as decisões do Fed e a entrada de Bitcoins antigos nas exchanges serão variáveis importantes para avaliar a força dos compradores e vendedores. Por enquanto, o Bitcoin enfrenta uma combinação de pressão macroeconômica, saídas de capital institucional e aumento das movimentações on-chain. A capacidade de preservar os US$ 75 mil poderá ajudar a determinar se o mercado encontrará estabilidade ou enfrentará uma nova rodada de volatilidade nas próximas sessões. Portanto, o preço do Bitcoin em 08 de novembro de 2026 é de R$ 423.832,33, de acordo com dados do Criptodata. Neste valor, R$ 1.000 compram 0,0024 BTC e R$ 1 compram 0,0000024 BTC. As criptomoedas que estão repgistrando as maiores altas no dia 08 de novembro de 2026, são: Pieverse (PIEVERSE), Arbitrum (ARB) e Algorand (ALGO), com altas de 5%, 2% e 1%, respectivamente. As criptomoedas que estão registrando as maiores baixas no dia 08 de novembro de 2026, são: Pump.fun (PUMP), Ethena (ENA) e Bitcoin Cash (BCH), com quedas de -5,3%, -5,2% e -4% respectivamente.

XP projeta crescimento próximo de zero para o Brasil em 2027
Notícias de Economia

XP projeta crescimento próximo de zero para o Brasil em 2027

08 de novembro de 2026 – A economia brasileira poderá enfrentar uma desaceleração significativa em 2027, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) próximo de zero. A perspectiva foi apresentada pelo economista-chefe da XP, Caio Megale, durante encontro com clientes e investidores realizado na quinta-feira (5), no Espaço XP Fortaleza. Na palestra, o especialista analisou o cenário econômico nacional e internacional, abordando os desafios fiscais, as pressões inflacionárias, a trajetória dos juros e as perspectivas para diferentes setores da economia. A apresentação teve como base o estudo “Onde Investir”, produzido pela XP, que reúne projeções macroeconômicas e recomendações para diferentes classes de ativos. Segundo Megale, a desaceleração prevista para 2027 ocorre após um período de expansão econômica impulsionado pelo aumento da renda das famílias, pelo mercado de trabalho aquecido, pelas transferências de renda e pela ampliação do crédito. Na avaliação do economista, esses fatores estimularam o consumo e elevaram a demanda interna, pressionando a capacidade produtiva do país. Ele também chamou atenção para o comprometimento da renda das famílias com dívidas, que chegou a aproximadamente 30%, além dos sinais de preocupação relacionados aos índices de inadimplência. >>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<< Inflação e contas públicas preocupam mercado Outro ponto destacado durante o encontro foi a perspectiva de inflação de 5,5% para 2027. O cenário considera uma combinação de fatores externos, como as oscilações nos preços do petróleo, e questões internas, entre elas o nível de consumo, os gastos públicos e os custos de produção. O quadro fiscal brasileiro também foi apontado como um dos principais desafios para os próximos anos. Mesmo com a expectativa de arrecadação recorde em 2026, o país ainda enfrenta dificuldades para equilibrar as contas públicas. De acordo com a análise apresentada por Megale, a evolução da dívida pública e a capacidade do governo de estabilizá-la serão determinantes para a confiança dos investidores e para as condições econômicas do país. A trajetória dos juros também permanece no radar do mercado financeiro, especialmente diante das pressões inflacionárias e das incertezas sobre a política fiscal. Esses fatores podem influenciar as decisões de investimento, o acesso ao crédito e o ritmo da atividade econômica. Ceará pode atrair investimentos em data centers No cenário internacional, o economista destacou as tensões geopolíticas, as incertezas fiscais em grandes economias e a manutenção de juros globais elevados. Esse conjunto de fatores contribui para aumentar a volatilidade dos mercados e interfere nas condições de financiamento e investimento. Apesar das incertezas, o Brasil pode encontrar oportunidades no ambiente externo por sua diversidade na produção de commodities, como petróleo, grãos e minérios. Durante a apresentação em Fortaleza, Megale também destacou o potencial do Ceará para atrair investimentos em setores estratégicos, especialmente o de data centers. Na avaliação apresentada, a localização geográfica do estado, distante de regiões com maior concentração de tensões geopolíticas, pode representar uma vantagem competitiva para projetos que buscam ambientes considerados mais seguros para a instalação de estruturas tecnológicas. O setor de data centers tem ganhado relevância nas discussões sobre infraestrutura digital, especialmente diante da expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem e da demanda por processamento e armazenamento de dados. Economista recomenda cautela nos investimentos Ao abordar as estratégias para investidores diante das perspectivas econômicas, Megale defendeu uma postura de cautela em relação às incertezas de curto prazo. Entre as alternativas discutidas no encontro, foram mencionadas aplicações de renda fixa pós-fixada, títulos atrelados à inflação e diversificação internacional. Para a renda variável, o economista apontou a existência de oportunidades, mas ressaltou que períodos de desvalorização dos ativos também podem se prolongar. O estudo “Onde Investir”, da XP, reúne análises sobre o ambiente macroeconômico, o cenário político e as perspectivas para diferentes classes de investimentos, servindo como referência para investidores que buscam planejar suas estratégias diante das mudanças previstas para 2027. Leia também | Enem 2026: portões fecham às 13h neste domingo (8) Tags: XP Investimentos, Caio Megale, economia brasileira, economia em 2027, PIB brasileiro, crescimento econômico, projeções econômicas, mercado financeiro, investimentos no Brasil, cenário econômico, inflação 2027, taxa de juros, política fiscal, dívida pública, arrecadação federal, renda fixa, renda variável, investimentos internacionais, mercado de capitais, economia do Ceará, investimentos no Ceará, Fortaleza, data centers no Ceará, tecnologia, infraestrutura digital, inteligência artificial, estudo Onde Investir, Espaço XP Fortaleza, investidores, Portal Terra da Luz

“Como transformar cenários macroeconômicos em decisões financeiras e geração de valor” – Por Fabiano Mapurunga
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“Como transformar cenários macroeconômicos em decisões financeiras e geração de valor” – Por Fabiano Mapurunga

“Não basta acompanhar a taxa Selic, a inflação, o câmbio ou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). É necessário compreender como esses indicadores afetam o negócio, antecipar seus possíveis desdobramentos e incorporar essas variáveis ao planejamento financeiro e estratégico”, aponta o administrador de empresas Fabiano Mapurunga Confira: A economia não acontece apenas nos indicadores divulgados pelo governo, nas decisões dos bancos centrais ou nas projeções dos analistas de mercado. Seus efeitos chegam diariamente às empresas, influenciando custos, receitas, margens, investimentos, endividamento e capacidade de crescimento. Nesse contexto, uma das competências mais importantes da liderança financeira é transformar informações macroeconômicas em decisões empresariais capazes de proteger resultados e gerar valor. Não basta acompanhar a taxa Selic, a inflação, o câmbio ou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). É necessário compreender como esses indicadores afetam o negócio, antecipar seus possíveis desdobramentos e incorporar essas variáveis ao planejamento financeiro e estratégico. O cenário brasileiro ilustra bem esse desafio. Em novembro de 2026, a manutenção da Selic em 13,75% ao ano, acompanhada de expectativas de inflação acima da meta e perspectivas moderadas de crescimento, reforça a necessidade de maior disciplina na gestão financeira. O ambiente exige cautela na contratação de dívidas, seletividade nos investimentos e atenção permanente à geração de caixa. Da análise econômica à decisão empresarial O primeiro passo é compreender que cada variável macroeconômica produz efeitos diferentes sobre a estrutura financeira de uma organização. Uma elevação dos juros, por exemplo, não representa apenas um aumento no custo das dívidas. Ela também modifica o custo de oportunidade do capital, eleva a taxa mínima de atratividade dos projetos e pode comprometer a viabilidade de investimentos anteriormente considerados interessantes. Da mesma forma, a inflação pressiona custos operacionais, salários, contratos e necessidades de capital de giro. Quando a empresa não consegue repassar integralmente esses aumentos aos preços, suas margens são comprimidas. Já a volatilidade cambial pode afetar diretamente organizações expostas a insumos importados, contratos internacionais ou obrigações financeiras em moeda estrangeira. O desafio da gestão financeira é traduzir essas variáveis em impactos mensuráveis sobre o fluxo de caixa, o resultado operacional e a estrutura de capital. Planejamento financeiro não pode depender de um único cenário Uma prática fundamental é trabalhar com diferentes cenários econômicos, em vez de construir o orçamento empresarial com base em uma única expectativa. O cenário-base deve representar as premissas consideradas mais prováveis. Entretanto, é igualmente importante avaliar cenários otimistas e adversos, identificando como mudanças nos juros, na inflação, no câmbio e na atividade econômica podem afetar os resultados. Essa análise permite testar a resiliência financeira da empresa, identificar pontos de vulnerabilidade e estabelecer respostas antecipadas. Por exemplo: o que acontece com o EBITDA se os custos operacionais crescerem acima da inflação projetada? Qual será o impacto no fluxo de caixa se os clientes aumentarem o prazo médio de pagamento? Como ficará a cobertura do serviço da dívida diante de uma elevação dos juros? Essas perguntas transformam o planejamento financeiro em instrumento efetivo de gestão de riscos e tomada de decisão. Alocação de capital: onde investir e onde preservar recursos? Talvez seja na alocação de capital que a conexão entre cenário macroeconômico e geração de valor se torne mais evidente. Em ambientes de juros elevados, a avaliação de novos investimentos exige maior rigor. Não basta que um projeto apresente crescimento de receita ou geração positiva de caixa. É necessário verificar se o retorno esperado remunera adequadamente o capital empregado e os riscos assumidos. Nesse processo, indicadores como Taxa Interna de Retorno (TIR), Valor Presente Líquido (VPL) e Custo Médio Ponderado de Capital (WACC) são fundamentais. Um projeto pode apresentar resultados operacionais positivos e, ainda assim, destruir valor econômico quando seu retorno não supera o custo de capital. Por outro lado, momentos de maior restrição econômica também podem revelar oportunidades. Empresas financeiramente estruturadas, com liquidez e capacidade de investimento, podem aproveitar condições de mercado para adquirir ativos, ampliar operações ou negociar melhores condições comerciais. Portanto, a decisão não deve ser simplesmente investir menos quando os juros sobem, mas selecionar melhor onde, quando e como investir. Estrutura de capital e gestão de liquidez Outro aspecto fundamental é a gestão do endividamento. A combinação entre juros elevados, prazos inadequados e concentração de vencimentos pode comprometer a flexibilidade financeira de uma empresa, mesmo quando seus resultados operacionais são satisfatórios. Por isso, é necessário avaliar continuamente o custo efetivo das fontes de financiamento, a relação entre dívida e geração de caixa, o perfil de amortização e a exposição a taxas variáveis. A liquidez também precisa ser tratada como uma decisão estratégica. Manter recursos disponíveis não significa necessariamente deixar capital improdutivo, mas assegurar capacidade de enfrentar imprevistos, honrar compromissos e aproveitar oportunidades de investimento. O CFO como tradutor da economia em geração de valor É nesse ambiente que o papel do CFO ganha uma dimensão ainda mais estratégica. O executivo financeiro precisa conectar as variáveis externas à realidade operacional da empresa, oferecendo informações que apoiem decisões de investimento, financiamento, precificação, expansão e gestão de riscos. Sua contribuição não se limita a explicar o que aconteceu com os resultados. Está principalmente em antecipar o que poderá acontecer, demonstrar os impactos financeiros das alternativas disponíveis e orientar a melhor alocação dos recursos. Isso exige integração entre planejamento financeiro, controladoria, tesouraria, operações e estratégia, além de uma cultura de decisões fundamentadas em dados e indicadores consistentes. Cenários macroeconômicos não devem ser tratados apenas como informações de acompanhamento ou elementos de contextualização dos relatórios financeiros. Eles precisam fazer parte do processo decisório das organizações. Empresas que conseguem antecipar mudanças econômicas, adaptar suas estruturas financeiras e direcionar capital para oportunidades de maior retorno desenvolvem maior capacidade de atravessar períodos adversos e construir vantagens competitivas. No fim, a geração de valor não depende apenas de acertar as previsões econômicas, mas de preparar a organização para diferentes possibilidades e tomar decisões consistentes diante de cada uma delas. Afinal, o diferencial de uma boa gestão financeira não está em prever perfeitamente o futuro da economia, mas em compreender seus sinais, antecipar seus impactos e transformar incertezas em decisões que preservem e ampliem o valor do negócio.

Juros em alta em países ricos dificultam queda da Selic
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Juros em alta em países ricos dificultam queda da Selic

Guerras, petróleo e gás mais caros e tarifas de Trump pressionam a inflação e levam bancos centrais a elevar taxas A alta dos juros no Reino Unido na 5ª feira (5.nov.2026) ampliou as dificuldades para o Banco Central brasileiro reduzir a Selic. O BoE (Banco da Inglaterra) elevou a taxa em 0,25 ponto percentual (p.p.), para 4% ao ano. Foi o 1º aumento desde agosto de 2023. A decisão se soma à manutenção de juros elevados em outras economias desenvolvidas, como Estados Unidos, Zona do Euro e Japão. A autoridade monetária britânica citou como fatores determinantes para a decisão: a escalada do conflito no Oriente Médio, o aumento nos preços globais de energia e uma atividade econômica doméstica mais forte do que o esperado. O encarecimento do petróleo e do gás natural, provocado pela guerra, também aumenta as pressões inflacionárias em outras economias. publicidade Quando os juros sobem ou permanecem elevados em países desenvolvidos, especialmente nos Estados Unidos, os investimentos nessas economias se tornam relativamente mais atraentes do que nos mercados emergentes. Isso pode reduzir o fluxo de dólares para países como o Brasil, pressionando negativamente a cotação do real e encarecendo produtos importados. O resultado é um risco adicional para a inflação brasileira, que limita o espaço para cortes da Selic. publicidade O BC decidiu na 4ª feira (4.nov) manter a Selic em 13,75% depois de 5 reuniões em que determinou cortes na taxa. A expectativa de economistas é de manutenção da Selic nesse patamar em dezembro. O Brasil tem o maior juro real do mundo. publicidade Para o professor de Economia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) Écio Costa, a atratividade dos títulos de países desenvolvidos e o risco exigido pelos investidores influenciam a capacidade de o Brasil reduzir os juros. publicidade “Se as taxas de juros dos EUA apresentam uma elevação, países do mundo todo precisam se ajustar para que a suas moedas não se desvalorizem, porque os títulos norte-americanos se tornam mais atrativos. Em economias com maior risco, como a brasileira, não se consegue ter margem para reduzir juros, ou tem que elevar juros. Caso contrário, o risco se torna preponderante em relação à rentabilidade que os títulos oferecem”. publicidade GASTO PÚBLICO O cenário externo, porém, é apenas parte do problema. A expansão dos gastos públicos no Brasil dificulta a redução dos juros ao estimular a demanda e aumentar o risco de inflação. Os gastos primários (sem contar pagamento de juros) do governo federal devem acumular crescimento real de 21% de 2023 a 2026. É quase o dobro da expansão projetada para a economia brasileira no mesmo período, de 11%. A estimativa consta de relatório macroeconômico dos economistas Mansueto Almeida e Samuel Pessôa, do BTG Pactual. Leia a íntegra do relatório (PDF – 147 KB). A diferença entre o ritmo de crescimento das despesas e o da economia reforça a necessidade de contenção fiscal para reduzir as pressões sobre os preços. Uma política de gastos expansionista pode exigir que o BC mantenha a Selic elevada por mais tempo. publicidade Segundo Costa, o desequilíbrio fiscal doméstico e a inflação interna são fatores ainda mais relevantes para os juros brasileiros do que o cenário internacional. Para ele, a pressão externa “é parte do problema, mas há inflação e excesso de deficit fiscal nos últimos anos”. O economista-chefe da Leme Consultores, José Rolando de Souza, aponta o desequilíbrio das contas públicas como um dos principais entraves à redução da Selic. Segundo ele, “o problema de origem é o desequilíbrio fiscal”, que encarece o financiamento do país, provoca incerteza e limita a margem de manobra da autoridade monetária brasileira. “A questão toda é que o Brasil paga sempre um prêmio de risco por conta da instabilidade macroeconômica e da insegurança que há. O país já deu calote, já mudou indexador, já tomou medidas que causaram desconfiança nos investidores. E a dívida brasileira tem um prazo muito curto. Temos dificuldade de financiar a longo prazo por conta da instabilidade macroeconômica e do desequilíbrio fiscal”, disse Souza. JUROS NO MUNDO A trajetória dos juros nas principais economias desenvolvidas mostra como os conflitos internacionais, os preços da energia e as condições econômicas internas influenciam as decisões dos bancos centrais. Embora os movimentos sejam diferentes, a manutenção de taxas elevadas e novas altas tornam o ambiente menos favorável à redução da Selic. O BoE decidiu pela alta depois de a inflação do Reino Unido chegar a 3,50% em 12 meses, puxada pelos preços de petróleo e gás natural. A alta de energia se dá a partir do prolongamento da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã no Oriente Médio. Leia a íntegra (PDF – 400 KB, em inglês). Nos EUA, o Fed (Federal Reserve) manteve em outubro de 2026 os juros entre 3,75% e 4,00% ao ano, em sinal de vigilância diante da inflação persistente. O mercado de trabalho está aquecido. O desemprego de outubro ficou em 4,1%. Houve queda de 0,1 p.p. sobre setembro. O salário médio por hora teve alta de 0,37% de setembro para outubro. Subiu US$ 0,14 para US$ 38. As tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump (Partido Republicano) aumentam a incerteza sobre a evolução dos preços. Leia a íntegra (PDF – 166 KB, em inglês). Na Zona do Euro, o BCE (Banco Central Europeu) manteve a taxa das operações principais de refinanciamento em 2,65% ao ano, em um cenário de riscos inflacionários associados aos custos de energia. Leia a íntegra (PDF – 294 KB). No Japão, o BOJ (Banco do Japão) manteve a taxa em 1,25% ao ano, o maior patamar em 3 décadas, depois do fim do ciclo de juros negativos. O país passou a elevar gradualmente os juros depois de encerrar, em março de 2024, a política de taxas negativas adotada em 2016. Leia a íntegra (PDF – 162 KB). PRESSÃO INFLACIONÁRIA O crescimento dos gastos públicos é um dos fatores que dificultam a redução da Selic no Brasil. A expansão das despesas pode estimular o consumo e a demanda por produtos e serviços, aumentando as pressões sobre a inflação. Para conter os preços, o BC pode precisar manter os juros elevados por mais tempo. Uma política fiscal contracionista ou menos expansionista poderia contribuir para abrir espaço à redução da taxa básica. Na ata da 281ª Reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), publicada em 22 de setembro de 2026, a autoridade monetária afirmou que a política fiscal no curto prazo estimula a demanda agregada. O documento se refere aos encontros de 15 e 16 de setembro, quando o Copom reduziu a Selic em 0,25 p.p., para 13,75% ao ano. Na ata, o comitê afirma que o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal”, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra do país, o nível que não estimula nem restringe a atividade econômica. Quanto maior a taxa neutra, maior deve ser a taxa para conter a alta de preços. Leia a íntegra (PDF – 200 KB). O relatório do BTG Pactual aponta os efeitos da expansão fiscal sobre o endividamento brasileiro. Segundo o estudo, a dívida bruta do governo geral deve passar de 71,7% do PIB, registrados em dezembro 2022, para 85,8% em 2027, conforme a projeção dos economistas. A DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) estava em 82,9% do PIB no fim de outubro de 2026. A pressão sobre a economia não se limita às despesas previstas no Orçamento. O BTG Pactual estima que operações e programas parafiscais –mecanismos de financiamento e estímulo econômico realizados fora do Orçamento tradicional– injetarão R$ 142 bilhões adicionais na economia em 2026 em comparação com o ano anterior, mantendo a demanda aquecida e reduzindo o impacto das taxas de juros elevadas. CENÁRIO DE LULA 4 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciará o 4º mandato em um ambiente internacional menos favorável do que o encontrado em seus 2 primeiros governos, iniciados em 2003 e 2007. Naquele período, o Brasil foi beneficiado pelo boom das commodities, impulsionado sobretudo pelo crescimento da demanda chinesa, e pela maior disponibilidade de capital internacional. Esses fatores favoreceram as exportações, atraíram investimentos e contribuíram para o crescimento econômico. O cenário atual é muito diferente. As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, a alta dos preços de energia e as tarifas comerciais impostas por Trump ampliam as incertezas sobre a inflação, o comércio internacional e o crescimento econômico mundial. No Brasil, a expansão dos gastos públicos e o aumento do endividamento acrescentam dificuldades ao cenário externo. A combinação desses fatores tende a restringir o espaço para estímulos econômicos e para a redução da Selic no próximo mandato de Lula, de 2027 a 2031. DÍVIDA ENCARECE A manutenção da Selic em patamar elevado também aumenta o custo de financiamento do governo. Uma parcela crescente da dívida pública federal está vinculada à taxa básica de juros. Segundo o Tesouro Nacional, as LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), atreladas à Selic, chegaram a 52,74% da DPF (Dívida Pública Federal) em agosto de 2026, maior nível da série iniciada em 2000. Em setembro, a fatia foi de 51,60%, ou R$ 4,84 trilhões. Dados do Banco Central mostram o tamanho da conta: dívida bruta do governo geral: 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões) em setembro, alta de 11,2 p.p. desde o início do 3º mandato de Lula; 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões) em setembro, alta de 11,2 p.p. desde o início do 3º mandato de Lula; juros nominais em 12 meses: R$ 1,205 trilhão (8,99% do PIB) até setembro, no setor público consolidado; R$ 1,205 trilhão (8,99% do PIB) até setembro, no setor público consolidado; juros em setembro dd 2026: R$ 107,5 bilhões, o equivalente a 95,1% do deficit nominal do mês (R$ 113 bilhões). O assessor de investimentos Cristiano Henrique Luersen, sócio da Wiser/BTG Pactual, destacou o aumento da participação dos títulos atrelados à Selic na dívida federal: “No fim de 2023, essa parcela era de 39,7%, e em menos de 3 anos houve aumento de quase 12 pontos percentuais”. Luersen explicou o que muda para o governo: “Quando o Tesouro vende um título prefixado, trava o custo até o vencimento, e o risco de alta dos juros fica com quem comprou o título. Quando vende LFT, faz o contrário: protege o investidor e fica com o risco”. Com base no estoque de LFTs, Luersen estima que cada alta de 1 p.p. na Selic, mantida por 12 meses, encarece a dívida em R$ 48 bilhões por ano (R$ 4 bilhões por mês). A estimativa considera o estoque desses títulos e a manutenção da variação dos juros durante o período. O impacto funciona no sentido contrário: uma redução de 1 p.p. na taxa básica diminuiria os encargos em valor semelhante, mantidas as mesmas condições. Para Luersen, a concentração em papéis pós-fixados “é uma troca defensável num momento de estresse, que fica cara se virar regra”. Ele afirmou que o Tesouro só voltará a vender prefixados e títulos longos de inflação a taxas menores com a queda do prêmio de risco. “Isso depende de previsibilidade nas contas públicas”, declarou. O cenário combina pressões externas e internas sobre os juros brasileiros. Enquanto as taxas elevadas nos países desenvolvidos aumentam os riscos cambiais e inflacionários, a expansão dos gastos e o crescimento da dívida pública limitam o espaço para cortes da Selic. A redução sustentável dos juros depende também de maior previsibilidade fiscal e do controle da inflação.

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