O que deu errado com o bitcoin? Cripto perde metade do valor após máxima histórica 1:45 Principal moeda digital do mundo enfrenta dúvidas sobre seu papel como reserva de valor, mas analistas ainda enxergam recuperação. Crédito: TV Estadão
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você O Brasil lidera a adoção global de criptomoedas, movimentando US$ 252,5 bilhões entre 2025 e 2026, segundo a Chainalysis. Superando EUA e Nigéria, o país destaca-se em fluxos transfronteiriços e economia peer-to-peer. A regulação do Banco Central fortalece exchanges locais, enquanto stablecoins crescem 495%, impulsionadas por empresas. Globalmente, a economia cripto caiu 1,6%, mas a América Latina cresceu 9,8%, com destaque para México, Argentina e Venezuela, que aumentou 107,2% após a prisão de Nicolás Maduro. Abrir o resumo
O Brasil ocupa a primeira posição global em adoção de criptomoedas, segundo o Geography of Cryptocurrency Report 2026, relatório da Chainalysis, plataforma de dados de blockchain, divulgado nesta quarta-feira (23). Entre 1º de julho de 2025 e 30 de junho de 2026, a economia cripto brasileira movimentou US$ 252,5 bilhões.
PUBLICIDADE Na classificação geral, o País superou os Estados Unidos e a Nigéria, que ocuparam a segunda e a terceira colocação, respectivamente.
Para medir os mercados de criptoativos, o estudo considera quatro fatores: fluxos totais de serviços (valores recebidos por corretoras centralizadas e outros serviços cripto), economia peer-to-peer (valores movimentados diretamente entre carteiras pessoais dentro do mesmo país), fluxos transfronteiriços (valores que atravessam uma fronteira nacional) e saldos (ativos mantidos no período, combinando carteiras pessoais geolocalizáveis com os saldos mantidos em plataformas). Os valores são ponderados pelo tamanho dos países.
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Para cada uma das quatro medidas, a Chainalysis coloca todos os países em uma escala comum de 0 a 1, atribuindo 0 ao país com a menor classificação e 1 ao país com a maior.
O Brasil ficou entre os quatro países com a maior nota em todos os fatores acompanhados pelo índice: segundo lugar em fluxos transfronteiriços, terceiro em fluxos totais de serviços, terceiro na economia doméstica peer-to-peer e quarto em saldos.
Na América Latina, o peso do mercado cripto brasileiro cresceu. No período de 2022, o País respondia por 31,6% do valor movimentado em criptomoedas na região, participação que chegou a 43,7% no cenário atual – quase metade do total.
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A liderança se manteve mesmo após a retração de 1,6% na economia cripto brasileira em relação ao último ano. Em uma perspectiva mais longa, porém, o mercado local cresceu 179,4% entre os períodos reportados em 2024 e 2026.
O setor vem se tornando mais concentrado em plataformas domésticas, ou seja, exchanges sediadas no Brasil. A participação dessas empresas nos fluxos destinados a corretoras no País saltou de 1,5% para 12,5%. O movimento vai na contramão do observado no restante da América Latina, onde plataformas domésticas perderam espaço para concorrentes internacionais.
O relatório atribui essa realidade ao avanço regulatório do mercado cripto no Brasil. Resoluções do Banco Central (BC) introduziram exigências para os Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs), incluindo aspectos de governança, gestão de risco e até definições de capital mínimo. As empresas do setor têm até 30 de outubro para atender às regras do BC e protocolar pedido de autorização para atuar como PSAVs.
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Essas barreiras trazem dificuldades para empresas menores. “Muitos provedores de pagamentos estão enfrentando dificuldades por causa disso”, afirma Fabrício Tota, vice-presidente de negócios cripto do Mercado Bitcoin. “Nos próximos 12 meses, acho que veremos muito menos players nativos de cripto aqui no Brasil”, acrescenta.
Para Julia Rosin, presidente da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto), as exigências maiores podem acabar aumentando a confiança dos consumidores nas empresas que permanecerem no mercado. “Quando chegam as regras, a confiança vem junto”, diz.
Outro destaque no País foi o crescimento das stablecoins (criptomoedas atreladas a ativos estáveis). O valor da economia brasileira desse tipo de ativo aumentou 495%, superando o avanço de 89,4% registrado no restante da América Latina.
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Localmente, o uso dessas criptomoedas aparece associado ao mercado corporativo. Empresas usam stablecoins para liquidez e transferências internacionais, enquanto a ampla utilização do Pix faz com que as stablecoins tenham menos destaque nos pagamentos cotidianos dos consumidores.
O avanço também pode ser observado na forma como esses ativos são mantidos. Desde julho de 2024, o número de carteiras brasileiras com pelo menos US$ 10 mil em stablecoins aumentou 347%, bem acima do crescimento observado no México, de 91%, na Argentina, de 82%, e no Chile, de 47%.
Brasil superou Estados Unidos e Nigéria como país com maior adoção de criptomoedas.
Economia cripto global recua com queda do bitcoin
Globalmente, a economia cripto movimentou US$ 9,4 trilhões entre 1º de julho de 2025 e 30 de junho de 2026, uma queda de 1,6% na comparação anual. O período analisado pelo estudo foi marcado por volatilidade, com o bitcoin atingindo máxima histórica em outubro de 2025, mas perdendo US$ 67 mil entre o pico e a mínima do intervalo.
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Nos meses analisados, fluxos de pequeno valor cresceram. As transferências inferiores a US$ 100 aumentaram 78,4%, enquanto as transferências entre US$ 100 e US$ 1.000 subiram 58,6%.
Essa participação do varejo representa apenas uma pequena parcela da atividade econômica de 2026, totalizando US$ 273 bilhões de quase US$ 10 trilhões em atividade. Ainda assim, segundo o relatório, indica que os usuários de varejo continuaram ativos durante o mercado de baixa.
As transferências de tamanho institucional também se mostraram relativamente resilientes em meio à queda dos preços do bitcoin. As transferências de US$ 1 milhão ou mais recuaram apenas 7,2% em relação ao período anterior.
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Mercado cripto da América Latina cresce quase 10%
A América Latina foi a sexta maior economia cripto do mundo, com US$ 593,8 bilhões em atividade, crescimento de 9,8% na comparação anual. O estudo aponta que fatores como inflação persistente e volatilidade cambial na região têm levado famílias e empresas a buscar alternativas às moedas locais, recorrendo às criptomoedas.
“Aqui na América Latina, toda essa adoção vem da necessidade”, destaca Carlos Peralta, especialista sênior em políticas públicas da Bitso. “Não é simplesmente adoção pela adoção.”
Apesar de o Brasil ser o líder mundial em adoção de criptomoedas e ter participação dominante na atividade econômica regional, ele não foi o responsável principal pelo crescimento do mercado cripto da América Latina no período de 2026.
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As economias cripto do México, Argentina e Colômbia estiveram entre as que mais se destacaram em crescimento, com avanços de 25,5%, 15,3% e 13,8% na comparação anual, respectivamente.
Outro destaque foi a Venezuela, cuja economia cripto movimentou US$ 39,1 bilhões no período analisado, alta de 107,2%. Segundo o estudo, o avanço foi impulsionado pelo episódio envolvendo a prisão de Nicolás Maduro, em janeiro, que levou a um aumento da busca por criptoativos atrelados ao dólar, em substituição ao bolívar.
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