São Paulo
O dólar abriu em alta nesta quarta-feira (23), com investidores mais cautelosos diante da falta de avanços e de acordos envolvendo a guerra no Irã.
O mercado também permanece atento ao cenário eleitoral, após pesquisa Atlas/Bloomberg apontar empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com o presidente numericamente à frente.
Por volta das 9h40, a moeda americana avançava 0,78%, a R$ 5,142. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, também subia, 0,36%.
Notas de US$ 100 - Martin Zabala - 2.jan.26/Xinhua
Lula e Flávio seguem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno da eleição presidencial, mas o petista passou a ter uma pequena vantagem numérica, segundo pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira.
Lula registra 47,7% das intenções de voto, ante 47,4% de Flávio. No levantamento anterior, divulgado em 17 de setembro, os percentuais eram de 46,8% e 47,2%, respectivamente.
A leitura entre analistas do mercado financeiro é de que o senador tem um perfil mais alinhado à disciplina nas contas públicas do que o atual presidente, o que é visto como positivo para os ativos domésticos.
No exterior, o petróleo Brent, referência mundial de preços da commodity, sobe mais de 1%, retomando o patamar de US$ 100.
A alta do petróleo eleva as perspectivas para a inflação e aumenta a cautela dos investidores diante do temor de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo, o que tende a pressionar ativos de risco.
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Na véspera (22), o dólar fechou em leve queda de 0,08%, cotado a R$5,102, após investidores repercutirem a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que apontou perda de força da atividade econômica em meio aos juros altos e à queda da inflação.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, fechou em alta de 0,44%, aos 187.422 pontos.
Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos, afirma que dois fatores sustentaram a Bolsa. O primeiro é o chamado "trade eleitoral". Na prática, segundo ele, as pesquisas vêm mostrando uma disputa apertada, e parte do mercado se anima com a expectativa de um cenário fiscal mais previsível, independentemente de quem vencer a eleição.
O segundo fator, de acordo com Lelis, são os grandes bancos, que têm peso significativo no índice e vêm sustentando os pregões de maior apetite por risco.
Apesar do resultado positivo no dia, o especialista chama a atenção para a saída de investidores estrangeiros. Segundo ele, mesmo com a Bolsa próxima de suas máximas, o dinheiro de fora vem diminuindo. Um dos motivos seria a alta dos juros nos Estados Unidos, que reduz a atratividade dos investimentos em países emergentes, como o Brasil, para quem busca retornos maiores.
A ata do Copom, divulgada na última terça, manteve o tom cauteloso do comunicado publicado na última quarta-feira (16), quando o colegiado decidiu, por unanimidade, reduzir pela quinta vez seguida a taxa básica de juros, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano.
Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, afirma que a ata sinalizou um comitê confiante no processo de desinflação da economia, mesmo diante de um ambiente externo incerto e da manutenção das expectativas de inflação acima da meta perseguida pelo Banco Central.
"Apesar do nosso cenário-base ser de manutenção da taxa de juros no patamar atual de 13,75% até o final do ano, entendemos que a ata aponta para uma maior inclinação do Copom seguir afrouxando a Selic nas próximas reuniões", diz o economista.
Ele acrescenta que a continuidade do ciclo de cortes dependerá do resultado das eleições e de seu impacto sobre o câmbio.
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Caio Megale, economista-chefe da XP, afirma que o Copom reiterou que a atividade econômica parte de um patamar ainda forte e que a inflação segue acima da meta. Ainda assim, segundo ele, os indicadores caminham de forma clara na direção desejada pelo comitê.
"Por isso, entendemos que a continuidade do ciclo de ajustes na taxa de juros permanece sendo o cenário-base da autoridade monetária", diz o especialista.
Ele afirma ainda que o ambiente externo continua sendo uma fonte de risco. A ata mencionou as "tensões geopolíticas e seus efeitos sobre os preços de commodities e insumos", fatores que, de acordo com Megale, alteraram as expectativas para a condução da política monetária nas economias desenvolvidas.
Nesse cenário, o mercado também acompanha as cotações do petróleo, que influenciam as expectativas de inflação e juros no mundo. Desde a última segunda-feira (21), o barril voltou a ser negociado abaixo de US$ 100.
O recuo está associado à expectativa de um acordo entre Irã e Estados Unidos. Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou estar aberto a um encontro com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que deve estar em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas.
Ao comentar a possibilidade de um entendimento com Teerã durante a abertura da Assembleia, Trump afirmou acreditar que os dois países chegarão a um acordo após as eleições de meio de mandato nos EUA.
"Eu acredito que vamos fazer um acordo depois das eleições, porque não faz sentido para eles [Irã] não fazerem. Eles estão esperando para ver como vou me sair nas eleições de meio de mandato. O que eles não percebem é que eu não estou concorrendo. Já concorri e vencemos por uma vitória esmagadora. Vou estar aqui por mais dois anos e meio."
A expectativa por negociações, contudo, contrasta com sinais de escalada do conflito. No sábado (19), os arredores do principal aeroporto de Riad, capital da Arábia Saudita, foram atacados, e uma densa coluna de fumaça foi vista. Os houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã, reivindicaram a autoria da ofensiva.
Além disso, os EUA anunciaram na última segunda-feira que todas as companhias aéreas iranianas terão suas operações interrompidas a partir desta quarta.
Em Wall Street, as Bolsas fecharam a véspera sem direção única. O Dow Jones caiu 0,36%, pressionado principalmente pelas ações da Cisco Systems, empresa de tecnologia. O S&P 500 fechou estável, enquanto o Nasdaq subiu 0,45%.
Os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, de dez anos fecharam estáveis, após recuarem 0,90% na véspera, em movimento também influenciado pela melhora nas cotações do petróleo.
No Brasil, os juros futuros fecharam em queda. Às 17h20, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,495%, com recuo de 0,03 ponto percentual. O contrato para janeiro de 2035 recuou 0,07 ponto percentual, a 13,955%.
Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos, afirma que os juros futuros tiveram movimentos mais intensos nos trechos intermediário e longo da curva, enquanto a ponta curta ficou relativamente estável. Segundo ele, o mercado segue sem uma direção clara para os juros de prazo mais longo, pressionados pelo cenário externo, com o Fed mais duro, Treasuries elevados e volatilidade do petróleo, além das incertezas fiscais e eleitorais no Brasil.
No mercado doméstico, os investidores também repercutiram a nova pesquisa Quaest. No levantamento, o presidente Lula (PT) tem 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Na pesquisa da semana passada, o petista aparecia com 36%, enquanto o filho de Jair Bolsonaro tinha 31%.
Em um cenário de segundo turno, Flávio Bolsonaro tem 42% e Lula, 41%, configurando empate técnico. Na rodada anterior, o candidato do PL também tinha 42%, enquanto o atual presidente registrava 40%.