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Resumo de Mercado
Resumo do dia (18h) Atualizado em 06/11/2026 às 18:00
Sentimento: Cauteloso (45/100)
Ibovespa
168.335 pts +1,29%
Dólar Comercial
R$ 5,50 +0,72%
Bitcoin (BRL)
R$ 419.280 -0,58%
Taxa Selic
13.75% a.a. Meta BC

Mercado em Cautela: Ibovespa Fecha em Alta Moderada Enquanto Criptoativos Enfrentam Desafios

Nesta sexta-feira, 06 de novembro de 2026, o Ibovespa encerrou o pregão em alta de 1,29%, alcançando 168.335,16 pontos, impulsionado principalmente por ações de grandes bancos e commodities, como Vale, que subiu 1,98%. No entanto, a volatilidade no mercado de criptomoedas e as restrições impostas por instituições financeiras, como Nubank e Mercado Pago, geraram um clima de cautela entre os investidores, refletindo preocupações com a estabilidade do setor. O sentimento do mercado é de precaução, especialmente diante das incertezas econômicas globais e locais.

Pontos-Chave para o Investidor
  • • Ibovespa fecha em alta, impulsionado por ações de bancos e commodities.
  • • Câmbio apresenta leve alta do Dólar, com expectativa cautelosa em relação à Selic.
  • • Mercado de criptomoedas enfrenta desafios com restrições de instituições financeiras.
Ações & Bolsa B3

O Ibovespa teve um desempenho positivo, com destaque para a alta de 2,9% das ações do Bradesco (BBDC4) e uma leve queda de 1,39% para a Petrobras (PETR4). As ações da Vale (VALE3) também contribuíram para o avanço do índice.

Câmbio & Cenário Macro

O Dólar Americano fechou em R$ 5,5007, com uma leve alta de 0,72%, enquanto o Euro apresentou uma pequena desvalorização de 0,02%. A expectativa em torno da Selic, atualmente em 13,75%, continua a influenciar o mercado cambial.

Criptoativos

O Bitcoin caiu 0,58%, sendo negociado a R$ 419.279,80, enquanto o Ethereum também enfrentou perdas de 0,99%. A suspensão de operações de criptomoedas por Nubank e Mercado Pago gerou apreensão no ecossistema cripto.

Atualizações automáticas em dias úteis às 10:00 (manhã/horário de brasília) e às 18:00 (fechamento/horário de brasília)
“Como transformar cenários macroeconômicos em decisões financeiras e geração de valor” – Por Fabiano Mapurunga
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“Como transformar cenários macroeconômicos em decisões financeiras e geração de valor” – Por Fabiano Mapurunga

“Não basta acompanhar a taxa Selic, a inflação, o câmbio ou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). É necessário compreender como esses indicadores afetam o negócio, antecipar seus possíveis desdobramentos e incorporar essas variáveis ao planejamento financeiro e estratégico”, aponta o administrador de empresas Fabiano Mapurunga Confira: A economia não acontece apenas nos indicadores divulgados pelo governo, nas decisões dos bancos centrais ou nas projeções dos analistas de mercado. Seus efeitos chegam diariamente às empresas, influenciando custos, receitas, margens, investimentos, endividamento e capacidade de crescimento. Nesse contexto, uma das competências mais importantes da liderança financeira é transformar informações macroeconômicas em decisões empresariais capazes de proteger resultados e gerar valor. Não basta acompanhar a taxa Selic, a inflação, o câmbio ou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). É necessário compreender como esses indicadores afetam o negócio, antecipar seus possíveis desdobramentos e incorporar essas variáveis ao planejamento financeiro e estratégico. O cenário brasileiro ilustra bem esse desafio. Em novembro de 2026, a manutenção da Selic em 13,75% ao ano, acompanhada de expectativas de inflação acima da meta e perspectivas moderadas de crescimento, reforça a necessidade de maior disciplina na gestão financeira. O ambiente exige cautela na contratação de dívidas, seletividade nos investimentos e atenção permanente à geração de caixa. Da análise econômica à decisão empresarial O primeiro passo é compreender que cada variável macroeconômica produz efeitos diferentes sobre a estrutura financeira de uma organização. Uma elevação dos juros, por exemplo, não representa apenas um aumento no custo das dívidas. Ela também modifica o custo de oportunidade do capital, eleva a taxa mínima de atratividade dos projetos e pode comprometer a viabilidade de investimentos anteriormente considerados interessantes. Da mesma forma, a inflação pressiona custos operacionais, salários, contratos e necessidades de capital de giro. Quando a empresa não consegue repassar integralmente esses aumentos aos preços, suas margens são comprimidas. Já a volatilidade cambial pode afetar diretamente organizações expostas a insumos importados, contratos internacionais ou obrigações financeiras em moeda estrangeira. O desafio da gestão financeira é traduzir essas variáveis em impactos mensuráveis sobre o fluxo de caixa, o resultado operacional e a estrutura de capital. Planejamento financeiro não pode depender de um único cenário Uma prática fundamental é trabalhar com diferentes cenários econômicos, em vez de construir o orçamento empresarial com base em uma única expectativa. O cenário-base deve representar as premissas consideradas mais prováveis. Entretanto, é igualmente importante avaliar cenários otimistas e adversos, identificando como mudanças nos juros, na inflação, no câmbio e na atividade econômica podem afetar os resultados. Essa análise permite testar a resiliência financeira da empresa, identificar pontos de vulnerabilidade e estabelecer respostas antecipadas. Por exemplo: o que acontece com o EBITDA se os custos operacionais crescerem acima da inflação projetada? Qual será o impacto no fluxo de caixa se os clientes aumentarem o prazo médio de pagamento? Como ficará a cobertura do serviço da dívida diante de uma elevação dos juros? Essas perguntas transformam o planejamento financeiro em instrumento efetivo de gestão de riscos e tomada de decisão. Alocação de capital: onde investir e onde preservar recursos? Talvez seja na alocação de capital que a conexão entre cenário macroeconômico e geração de valor se torne mais evidente. Em ambientes de juros elevados, a avaliação de novos investimentos exige maior rigor. Não basta que um projeto apresente crescimento de receita ou geração positiva de caixa. É necessário verificar se o retorno esperado remunera adequadamente o capital empregado e os riscos assumidos. Nesse processo, indicadores como Taxa Interna de Retorno (TIR), Valor Presente Líquido (VPL) e Custo Médio Ponderado de Capital (WACC) são fundamentais. Um projeto pode apresentar resultados operacionais positivos e, ainda assim, destruir valor econômico quando seu retorno não supera o custo de capital. Por outro lado, momentos de maior restrição econômica também podem revelar oportunidades. Empresas financeiramente estruturadas, com liquidez e capacidade de investimento, podem aproveitar condições de mercado para adquirir ativos, ampliar operações ou negociar melhores condições comerciais. Portanto, a decisão não deve ser simplesmente investir menos quando os juros sobem, mas selecionar melhor onde, quando e como investir. Estrutura de capital e gestão de liquidez Outro aspecto fundamental é a gestão do endividamento. A combinação entre juros elevados, prazos inadequados e concentração de vencimentos pode comprometer a flexibilidade financeira de uma empresa, mesmo quando seus resultados operacionais são satisfatórios. Por isso, é necessário avaliar continuamente o custo efetivo das fontes de financiamento, a relação entre dívida e geração de caixa, o perfil de amortização e a exposição a taxas variáveis. A liquidez também precisa ser tratada como uma decisão estratégica. Manter recursos disponíveis não significa necessariamente deixar capital improdutivo, mas assegurar capacidade de enfrentar imprevistos, honrar compromissos e aproveitar oportunidades de investimento. O CFO como tradutor da economia em geração de valor É nesse ambiente que o papel do CFO ganha uma dimensão ainda mais estratégica. O executivo financeiro precisa conectar as variáveis externas à realidade operacional da empresa, oferecendo informações que apoiem decisões de investimento, financiamento, precificação, expansão e gestão de riscos. Sua contribuição não se limita a explicar o que aconteceu com os resultados. Está principalmente em antecipar o que poderá acontecer, demonstrar os impactos financeiros das alternativas disponíveis e orientar a melhor alocação dos recursos. Isso exige integração entre planejamento financeiro, controladoria, tesouraria, operações e estratégia, além de uma cultura de decisões fundamentadas em dados e indicadores consistentes. Cenários macroeconômicos não devem ser tratados apenas como informações de acompanhamento ou elementos de contextualização dos relatórios financeiros. Eles precisam fazer parte do processo decisório das organizações. Empresas que conseguem antecipar mudanças econômicas, adaptar suas estruturas financeiras e direcionar capital para oportunidades de maior retorno desenvolvem maior capacidade de atravessar períodos adversos e construir vantagens competitivas. No fim, a geração de valor não depende apenas de acertar as previsões econômicas, mas de preparar a organização para diferentes possibilidades e tomar decisões consistentes diante de cada uma delas. Afinal, o diferencial de uma boa gestão financeira não está em prever perfeitamente o futuro da economia, mas em compreender seus sinais, antecipar seus impactos e transformar incertezas em decisões que preservem e ampliem o valor do negócio.

Juros em alta em países ricos dificultam queda da Selic
Selic

Juros em alta em países ricos dificultam queda da Selic

Guerras, petróleo e gás mais caros e tarifas de Trump pressionam a inflação e levam bancos centrais a elevar taxas A alta dos juros no Reino Unido na 5ª feira (5.nov.2026) ampliou as dificuldades para o Banco Central brasileiro reduzir a Selic. O BoE (Banco da Inglaterra) elevou a taxa em 0,25 ponto percentual (p.p.), para 4% ao ano. Foi o 1º aumento desde agosto de 2023. A decisão se soma à manutenção de juros elevados em outras economias desenvolvidas, como Estados Unidos, Zona do Euro e Japão. A autoridade monetária britânica citou como fatores determinantes para a decisão: a escalada do conflito no Oriente Médio, o aumento nos preços globais de energia e uma atividade econômica doméstica mais forte do que o esperado. O encarecimento do petróleo e do gás natural, provocado pela guerra, também aumenta as pressões inflacionárias em outras economias. publicidade Quando os juros sobem ou permanecem elevados em países desenvolvidos, especialmente nos Estados Unidos, os investimentos nessas economias se tornam relativamente mais atraentes do que nos mercados emergentes. Isso pode reduzir o fluxo de dólares para países como o Brasil, pressionando negativamente a cotação do real e encarecendo produtos importados. O resultado é um risco adicional para a inflação brasileira, que limita o espaço para cortes da Selic. publicidade O BC decidiu na 4ª feira (4.nov) manter a Selic em 13,75% depois de 5 reuniões em que determinou cortes na taxa. A expectativa de economistas é de manutenção da Selic nesse patamar em dezembro. O Brasil tem o maior juro real do mundo. publicidade Para o professor de Economia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) Écio Costa, a atratividade dos títulos de países desenvolvidos e o risco exigido pelos investidores influenciam a capacidade de o Brasil reduzir os juros. publicidade “Se as taxas de juros dos EUA apresentam uma elevação, países do mundo todo precisam se ajustar para que a suas moedas não se desvalorizem, porque os títulos norte-americanos se tornam mais atrativos. Em economias com maior risco, como a brasileira, não se consegue ter margem para reduzir juros, ou tem que elevar juros. Caso contrário, o risco se torna preponderante em relação à rentabilidade que os títulos oferecem”. publicidade GASTO PÚBLICO O cenário externo, porém, é apenas parte do problema. A expansão dos gastos públicos no Brasil dificulta a redução dos juros ao estimular a demanda e aumentar o risco de inflação. Os gastos primários (sem contar pagamento de juros) do governo federal devem acumular crescimento real de 21% de 2023 a 2026. É quase o dobro da expansão projetada para a economia brasileira no mesmo período, de 11%. A estimativa consta de relatório macroeconômico dos economistas Mansueto Almeida e Samuel Pessôa, do BTG Pactual. Leia a íntegra do relatório (PDF – 147 KB). A diferença entre o ritmo de crescimento das despesas e o da economia reforça a necessidade de contenção fiscal para reduzir as pressões sobre os preços. Uma política de gastos expansionista pode exigir que o BC mantenha a Selic elevada por mais tempo. publicidade Segundo Costa, o desequilíbrio fiscal doméstico e a inflação interna são fatores ainda mais relevantes para os juros brasileiros do que o cenário internacional. Para ele, a pressão externa “é parte do problema, mas há inflação e excesso de deficit fiscal nos últimos anos”. O economista-chefe da Leme Consultores, José Rolando de Souza, aponta o desequilíbrio das contas públicas como um dos principais entraves à redução da Selic. Segundo ele, “o problema de origem é o desequilíbrio fiscal”, que encarece o financiamento do país, provoca incerteza e limita a margem de manobra da autoridade monetária brasileira. “A questão toda é que o Brasil paga sempre um prêmio de risco por conta da instabilidade macroeconômica e da insegurança que há. O país já deu calote, já mudou indexador, já tomou medidas que causaram desconfiança nos investidores. E a dívida brasileira tem um prazo muito curto. Temos dificuldade de financiar a longo prazo por conta da instabilidade macroeconômica e do desequilíbrio fiscal”, disse Souza. JUROS NO MUNDO A trajetória dos juros nas principais economias desenvolvidas mostra como os conflitos internacionais, os preços da energia e as condições econômicas internas influenciam as decisões dos bancos centrais. Embora os movimentos sejam diferentes, a manutenção de taxas elevadas e novas altas tornam o ambiente menos favorável à redução da Selic. O BoE decidiu pela alta depois de a inflação do Reino Unido chegar a 3,50% em 12 meses, puxada pelos preços de petróleo e gás natural. A alta de energia se dá a partir do prolongamento da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã no Oriente Médio. Leia a íntegra (PDF – 400 KB, em inglês). Nos EUA, o Fed (Federal Reserve) manteve em outubro de 2026 os juros entre 3,75% e 4,00% ao ano, em sinal de vigilância diante da inflação persistente. O mercado de trabalho está aquecido. O desemprego de outubro ficou em 4,1%. Houve queda de 0,1 p.p. sobre setembro. O salário médio por hora teve alta de 0,37% de setembro para outubro. Subiu US$ 0,14 para US$ 38. As tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump (Partido Republicano) aumentam a incerteza sobre a evolução dos preços. Leia a íntegra (PDF – 166 KB, em inglês). Na Zona do Euro, o BCE (Banco Central Europeu) manteve a taxa das operações principais de refinanciamento em 2,65% ao ano, em um cenário de riscos inflacionários associados aos custos de energia. Leia a íntegra (PDF – 294 KB). No Japão, o BOJ (Banco do Japão) manteve a taxa em 1,25% ao ano, o maior patamar em 3 décadas, depois do fim do ciclo de juros negativos. O país passou a elevar gradualmente os juros depois de encerrar, em março de 2024, a política de taxas negativas adotada em 2016. Leia a íntegra (PDF – 162 KB). PRESSÃO INFLACIONÁRIA O crescimento dos gastos públicos é um dos fatores que dificultam a redução da Selic no Brasil. A expansão das despesas pode estimular o consumo e a demanda por produtos e serviços, aumentando as pressões sobre a inflação. Para conter os preços, o BC pode precisar manter os juros elevados por mais tempo. Uma política fiscal contracionista ou menos expansionista poderia contribuir para abrir espaço à redução da taxa básica. Na ata da 281ª Reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), publicada em 22 de setembro de 2026, a autoridade monetária afirmou que a política fiscal no curto prazo estimula a demanda agregada. O documento se refere aos encontros de 15 e 16 de setembro, quando o Copom reduziu a Selic em 0,25 p.p., para 13,75% ao ano. Na ata, o comitê afirma que o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal”, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra do país, o nível que não estimula nem restringe a atividade econômica. Quanto maior a taxa neutra, maior deve ser a taxa para conter a alta de preços. Leia a íntegra (PDF – 200 KB). O relatório do BTG Pactual aponta os efeitos da expansão fiscal sobre o endividamento brasileiro. Segundo o estudo, a dívida bruta do governo geral deve passar de 71,7% do PIB, registrados em dezembro 2022, para 85,8% em 2027, conforme a projeção dos economistas. A DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) estava em 82,9% do PIB no fim de outubro de 2026. A pressão sobre a economia não se limita às despesas previstas no Orçamento. O BTG Pactual estima que operações e programas parafiscais –mecanismos de financiamento e estímulo econômico realizados fora do Orçamento tradicional– injetarão R$ 142 bilhões adicionais na economia em 2026 em comparação com o ano anterior, mantendo a demanda aquecida e reduzindo o impacto das taxas de juros elevadas. CENÁRIO DE LULA 4 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciará o 4º mandato em um ambiente internacional menos favorável do que o encontrado em seus 2 primeiros governos, iniciados em 2003 e 2007. Naquele período, o Brasil foi beneficiado pelo boom das commodities, impulsionado sobretudo pelo crescimento da demanda chinesa, e pela maior disponibilidade de capital internacional. Esses fatores favoreceram as exportações, atraíram investimentos e contribuíram para o crescimento econômico. O cenário atual é muito diferente. As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, a alta dos preços de energia e as tarifas comerciais impostas por Trump ampliam as incertezas sobre a inflação, o comércio internacional e o crescimento econômico mundial. No Brasil, a expansão dos gastos públicos e o aumento do endividamento acrescentam dificuldades ao cenário externo. A combinação desses fatores tende a restringir o espaço para estímulos econômicos e para a redução da Selic no próximo mandato de Lula, de 2027 a 2031. DÍVIDA ENCARECE A manutenção da Selic em patamar elevado também aumenta o custo de financiamento do governo. Uma parcela crescente da dívida pública federal está vinculada à taxa básica de juros. Segundo o Tesouro Nacional, as LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), atreladas à Selic, chegaram a 52,74% da DPF (Dívida Pública Federal) em agosto de 2026, maior nível da série iniciada em 2000. Em setembro, a fatia foi de 51,60%, ou R$ 4,84 trilhões. Dados do Banco Central mostram o tamanho da conta: dívida bruta do governo geral: 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões) em setembro, alta de 11,2 p.p. desde o início do 3º mandato de Lula; 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões) em setembro, alta de 11,2 p.p. desde o início do 3º mandato de Lula; juros nominais em 12 meses: R$ 1,205 trilhão (8,99% do PIB) até setembro, no setor público consolidado; R$ 1,205 trilhão (8,99% do PIB) até setembro, no setor público consolidado; juros em setembro dd 2026: R$ 107,5 bilhões, o equivalente a 95,1% do deficit nominal do mês (R$ 113 bilhões). O assessor de investimentos Cristiano Henrique Luersen, sócio da Wiser/BTG Pactual, destacou o aumento da participação dos títulos atrelados à Selic na dívida federal: “No fim de 2023, essa parcela era de 39,7%, e em menos de 3 anos houve aumento de quase 12 pontos percentuais”. Luersen explicou o que muda para o governo: “Quando o Tesouro vende um título prefixado, trava o custo até o vencimento, e o risco de alta dos juros fica com quem comprou o título. Quando vende LFT, faz o contrário: protege o investidor e fica com o risco”. Com base no estoque de LFTs, Luersen estima que cada alta de 1 p.p. na Selic, mantida por 12 meses, encarece a dívida em R$ 48 bilhões por ano (R$ 4 bilhões por mês). A estimativa considera o estoque desses títulos e a manutenção da variação dos juros durante o período. O impacto funciona no sentido contrário: uma redução de 1 p.p. na taxa básica diminuiria os encargos em valor semelhante, mantidas as mesmas condições. Para Luersen, a concentração em papéis pós-fixados “é uma troca defensável num momento de estresse, que fica cara se virar regra”. Ele afirmou que o Tesouro só voltará a vender prefixados e títulos longos de inflação a taxas menores com a queda do prêmio de risco. “Isso depende de previsibilidade nas contas públicas”, declarou. O cenário combina pressões externas e internas sobre os juros brasileiros. Enquanto as taxas elevadas nos países desenvolvidos aumentam os riscos cambiais e inflacionários, a expansão dos gastos e o crescimento da dívida pública limitam o espaço para cortes da Selic. A redução sustentável dos juros depende também de maior previsibilidade fiscal e do controle da inflação.

Selic a 13,75%: você enxerga oportunidades ou deixa o pânico dominar?
Fundos Imobiliários Brasileiros

Selic a 13,75%: você enxerga oportunidades ou deixa o pânico dominar?

Por Letícia Bogéa – Analista de Economia do Boletim Nacional O ciclo de redução da taxa Selic, iniciado em março de 2026, quando os juros estavam em 15% ao ano, foi interrompido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última quarta-feira (4 de novembro). Após alguns cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, que levaram a taxa a 13,75% em setembro, o Banco Central decidiu manter os juros nesse patamar diante da piora das expectativas de inflação, das incertezas fiscais e de um ambiente econômico mais adverso. A preocupação do mercado está concentrada no desequilíbrio das contas públicas, no crescimento da dívida e na falta de previsibilidade da política econômica. Esses fatores aumentam a percepção de risco e dificultam novos cortes da Selic. A Bolsa de Valores, que vinha registrando fortes altas diante das expectativas eleitorais, sofreu uma queda expressiva após a vitória de Lula, refletindo a maior cautela dos investidores com os rumos da economia. Mesmo com a Bolsa em queda, o investidor pode encontrar boas oportunidades. A desvalorização de ações e cotas de fundos imobiliários permite, em alguns casos, adquirir ativos de qualidade por preços mais baixos, com possibilidade de valorização futura. Se a empresa continua sólida, apresenta bons resultados e mantém perspectivas positivas, a queda pode representar uma oportunidade de compra, e não um sinal de prejuízo no longo prazo. Por isso, sempre bato na tecla: é fundamental entender o básico sobre investimentos e saber avaliar a qualidade dos ativos, e não apenas acompanhar as oscilações dos preços. Investir com conhecimento significa compreender que o mercado passa por ciclos de alta e de baixa, e que decisões tomadas por medo ou euforia comprometem a construção de patrimônio. Mais importante do que tentar prever o próximo movimento da Bolsa é ter paciência, diversificar a carteira e manter uma estratégia alinhada aos seus objetivos. Investir não é buscar ganhos imediatos (investir não é aposta), mas construir resultados consistentes ao longo do tempo.

Selic fica no patamar inicial de Lula 3 e dívida sobe
Selic

Selic fica no patamar inicial de Lula 3 e dívida sobe

A 2 meses do fim do mandato, taxa básica de juros está em 13,75%; economistas esperam manutenção A Selic, taxa básica de juros, está em 13,75% ao ano, a mesma que vigorava no início do 3º mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2023. Economistas estimam que esse patamar da Selic será mantido até 2027. Caso isso se confirme, Lula iniciará o 4º mandato com a taxa básica de juros no mesmo nível do início do 3º mandato. publicidade publicidade A dívida pública cresceu 11,2 pontos percentuais no período em relação ao PIB (Produto Interno Bruto). Estava em 71,7% do PIB em dezembro de 2022, último mês do governo de Jair Bolsonaro (PL). Atingiu 82,9% em setembro. publicidade Felippe Serigati, economista e pesquisador do FGV Agro (Centro de Estudos do Agronegócio), atribuiu ao descompasso fiscal o avanço da dívida pública. “A sequência de deficits primários que o atual governo acumulou desde 2023 explica isso”, declarou. publicidade José Ronaldo de Souza, economista e sócio da Quantivis Analytics, afirmou haver um “crescimento acelerado dos gastos públicos, especialmente com transferências de renda”. publicidade “Sem uma sinalização de mudança de política, isso pode consolidar a trajetória explosiva da dívida, o que aumenta o risco e o custo da dívida”, acrescentou. Disse também que as despesas públicas excessivas “pressionam a inflação e forçam o Banco Central a agir de forma contracionista”. O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu na 4ª feira (4.nov.2026) manter a Selic em 13,75%. O Copom havia reduzido a Selic nas 5 reuniões anteriores. publicidade A taxa básica estava em 15% em janeiro de 2026. Foi o patamar mais alto atingido no 3º mandato de Lula. O Copom começou a reduzi-la em março. O Copom começou a reduzir a Selic em agosto de 2023. A taxa chegou a 10,5% em maio de 2024. Manteve a taxa nesse patamar até setembro de 2024, quando começou a aumentá-la novamente. A Selic chegou a 15% em junho de 2025. Ficou assim em 6 reuniões do Copom, até janeiro de 2026. Ecio Costa, economista e professor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), ressaltou que a parte da dívida pública atrelada à Selic torna o nível da taxa mais prejudicial às contas públicas. “É cada vez mais caro rolar essa dívida. O ideal para o país seria ter a maior parte do endividamento de longo prazo, não de curto prazo, como a Selic, porque você precisa ficar renovando a cada ano ou a cada 2, 3 anos. No de longo prazo, você consegue taxas geralmente mais baixas”, declarou. A dívida pública atrelada à Selic atingiu recorde em agosto de 2026: 52,74% do total. Em setembro, recuou para 51,60% da DPF (Dívida Pública Federal). PROPOSTA DE LARA RESENDE O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, criticou as altas taxas de juros do país. Propôs em um artigo a criação de um conselho no governo para levar a Selic a 7,5% no prazo de um ano. Parte do PT defendeu a ideia. O economista John Cochrane, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, disse ter “preocupações” com a proposta de Resende. Cochrane foi citado no artigo de Resende por considerar altas taxas de juros prejudiciais à economia. Mas o economista norte-americano afirmou na resposta ao texto de Resende que a redução da taxa básica exige confiança na política fiscal do governo. Ele avalia que há falta de confiança atualmente. Lula se reuniu na 5ª feira (5.nov) com economistas para discutir a política econômica a ser estabelecida no 4º mandato. ARCABOUÇO FISCAL O governo cogita mudanças no teto do crescimento de despesas do arcabouço fiscal, hoje em 2,5%. Em julho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia sinalizado ao mercado financeiro um arcabouço fiscal mais rígido e sustentável nos próximos anos. A intenção é que esse teto fique abaixo de 2%. Durigan, entretanto, ainda não falou publicamente sobre esse patamar. “O problema todo é que o arcabouço nunca foi cumprido. E se não se cumpre, não há nenhuma punição. Isso traz a manutenção de uma descredibilidade por parte do mercado em relação ao que está se prometendo”, disse Ecio Costa.

André Lara Resende vê barulho por nada sobre Selic
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André Lara Resende vê barulho por nada sobre Selic

O ex-diretor de política monetária do Banco Central Rodrigo Azevedo recorreu a William Shakespeare para descartar a relevância do debate em torno da defesa do economista André Lara Resende da redução gradual da taxa Selic para cerca de 7,5% ao ano em. A declaração foi dada durante evento com empresários e profissionais do setor produtivo, onde Azevedo minimizou a polêmica que ganhou força no mercado financeiro e nos corredores de Brasília. A proposta de Lara Resende gerou repercussão após rumores de que teria sido apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a agenda econômica de seu quarto governo. Azevedo, no entanto, tratou o assunto como secundário diante dos desafios estruturais da economia brasileira, sinalizando que o foco deveria estar em outras frentes. Por que o debate é considerado ruído Para o economista, questões estruturais fazem os juros no Brasil serem mais altos do que o de outros países parelhos, mas as conjunturais é que “fazem com que ele seja muito mais alto”. A fala sugere que a discussão sobre um patamar específico de Selic ignora as causas profundas do custo do crédito no país, como baixa poupança doméstica, insegurança jurídica e histórico inflacionário. Azevedo aponta o governo Temer como exemplo para se resolver o problema. Durante aquela gestão, medidas como o teto de gastos e a reforma trabalhista foram adotadas com o objetivo de melhorar o ambiente fiscal e reduzir o juro estrutural. A referência indica que, na visão do ex-diretor, o caminho para juros menores passa por reformas e disciplina fiscal, não por atalhos monetários. A transição para uma taxa Selic mais baixa, portanto, dependeria de avanços institucionais e não de decisões discricionárias do Banco Central. A plateia de empresários do noroeste paulista, acostumada a lidar com custos de capital elevados, ouviu com atenção a defesa de uma agenda de longo prazo. Meta de inflação entra na mira Solange Srour complementou que o mesmo argumento serve para a discussão em torno da mudança na meta de inflação, hoje em 3%, com defensores de que está baixa demais. A economista reforçou que alterar o alvo para acomodar juros menores não encontra respaldo em dados ou experiências internacionais bem-sucedidas. — A proposta de aumentar a meta para cair juros não tem evidência empírica nenhuma e parte da premissa de que o ajuste fiscal será feito. Se for, chegaremos no juro real baixo, com inflação baixa, sem nem precisar baixar Selic ou meta de inflação pelo decreto — afirmou. A declaração ecoa entre pequenos e médios empresários que dependem de crédito para capital de giro e investimento. Para eles, a previsibilidade da inflação é tão importante quanto o nível da taxa básica, pois contratos e planejamentos são feitos com base em expectativas de longo prazo. Impacto para o comércio e a indústria No interior paulista, cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis sentem diretamente os efeitos da política monetária. Juros altos encarecem o financiamento de máquinas, estoques e expansão de plantas industriais, especialmente nos setores calçadista e sucroenergético, fortes na região. A discussão sobre Selic e meta de inflação, portanto, não é abstrata para o empresariado local. Entidades como ACSP, CDL e Sebrae acompanham o debate de perto, pois a taxa de juros afeta o consumo das famílias e a inadimplência. Uma Selic em 7,5% ao ano, como proposto por Lara Resende, reduziria o custo do crédito, mas especialistas alertam que sem ajuste fiscal a queda poderia ser insustentável e gerar inflação futura. A fonte não detalhou projeções específicas para o noroeste paulista, mas o histórico mostra que a região é sensível a ciclos de crédito. A retomada do investimento produtivo depende de um ambiente macroeconômico estável, com juros reais baixos e inflação controlada. O que esperar da política monetária O debate sobre a Selic e a meta de inflação deve continuar nos próximos meses, especialmente com a proximidade das decisões do Copom. Economistas divergem sobre o ritmo ideal de cortes, mas há consenso de que a credibilidade do Banco Central é um ativo a ser preservado. Para o setor produtivo, a mensagem de Azevedo e Srour é clara: não há mágica monetária. A redução sustentável dos juros exige reformas estruturais e responsabilidade fiscal. Enquanto isso, empresários devem se preparar para um cenário de juros ainda elevados no curto prazo, gerenciando caixa e buscando linhas de crédito com garantias. O evento que reuniu os economistas foi organizado pela MBA Brasil, e a cobertura jornalística contou com a participação de Eduardo Graça, que viajou a convite da instituição. A presença de lideranças empresariais do noroeste paulista reforça o interesse regional no tema. Em resumo, a polêmica em torno de André Lara Resende pode ser vista como sintoma de uma ansiedade legítima por juros mais baixos, mas os especialistas ouvidos sugerem que o foco deveria estar na construção de fundamentos econômicos sólidos, não em atalhos que podem comprometer a estabilidade. Perguntas Frequentes O que Rodrigo Azevedo, ex-diretor do Banco Central, disse sobre a proposta de André Lara Resende de reduzir a Selic para 7,5% ao ano? Rodrigo Azevedo afirmou que ‘essa questão do André Lara Resende é muito barulho por nada’, descartando a relevância do debate. Por que os juros no Brasil são mais altos do que em outros países, segundo o economista? Segundo o economista, questões estruturais fazem os juros no Brasil serem mais altos do que o de outros países parelhos, mas as conjunturais é que ‘fazem com que ele seja muito mais alto’. Qual foi a crítica de Solange Srour à proposta de aumentar a meta de inflação para reduzir os juros? Solange Srour afirmou que ‘a proposta de aumentar a meta para cair juros não tem evidência empírica nenhuma e parte da premissa de que o ajuste fiscal será feito’. Fonte

Ata do Copom sai na terça-feira e explica por que a Selic parou em 13,75%
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Ata do Copom sai na terça-feira e explica por que a Selic parou em 13,75%

O Banco Central divulga na terça-feira (10 de novembro) a ata que explica por que o Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo cinco cortes seguidos. O comunicado citou a alta do dólar, o El Niño e a guerra no Oriente Médio. A decisão foi unânime e consolidou a pausa, que levou a Selic de 15% a 13,75% ao ano. O colegiado chamou o momento de "contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base". A aposta do mercado na pausa já vinha crescendo nos dias anteriores à reunião. Levantamento da Bloomberg com 18 economistas, feito entre 27 e 29 de outubro, mostrou o grupo dividido: dez previam a manutenção e oito projetavam um novo corte, para 13,50%.

Modelo de política econômica do PT é muito desequilibrado, avalia Azevedo, da Ibiuna
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Modelo de política econômica do PT é muito desequilibrado, avalia Azevedo, da Ibiuna

Rodrigo Azevedo, sócio da Ibiúna Investimentos, esteve na Conferência MBA Brasil 2026, e classificou a proposta de André Lara Rezende como "muito barulho por nada" Publicidade CHICAGO – A política econômica promovida pelos governos do PT é “muito desequilibrada”, na avaliação do sócio da Ibiúna Investimentos, Rodrigo Azevedo. A declaração foi feita durante a Conferência MBA Brasil 2026, neste domingo (6). “Para atender as demandas sociais, a velocidade do gasto público é muito mais alta [sob o governo do PT]”, disse ele. Segundo a explicação do gestor, os governos petistas buscam acelerar a economia pela demanda e “o Banco Central pisa no freio para conter a inflação.” Para Azevedo, o governo Temer, antes da pandemia, foi um bom exemplo de juro a 4,5 e 6% ao ano, além de câmbio estável e inflação na meta. “As pessoas querem mágica e inventam outra razão para o juro alto”, afirmou, ao reforçar a necessidade de ajuste fiscal. “A discussão toda do André Lara Rezende é much ado about nothing (muito barulho por nada, em tradução livre para o português). Toda a proposta dele parte do princípio da existência de que terá um ajuste fiscal. Se seguir essa premissa, de ter o ajuste fiscal, todo o resto vai se ajustar”, completou. Na semana passada, relatos de que uma ala do governo estaria disposta a encampar as ideias do economista André Lara Rezende, um dos pais do Plano Real, de reduzir o ritmo de crescimento da dívida pública via cortes agressivos da taxa Selic aumentaram o desconforto dos investidores. O especialista, considerado um dos pais do Plano Real, considera que o cerne do problema fiscal está no serviço da dívida e propõe a definição de metas fiscais e monetárias para um período de quatro a cinco anos – com o BC reduzindo gradualmente o juro básico nos primeiros 12 meses para perto de 7,5% ao ano. Continua depois da publicidade Nas suas contas, para uma dívida que corresponde a 80% do PIB, essa redução do custo médio da dívida equivaleria a uma economia fiscal de cerca de 4% do PIB ao ano. Rodrigo Azevedo vê que, no Brasil, “não dá para fazer ajuste fiscal gradual porque investidores não benefício da dúvida. Não tem condições políticas e de fazer um ajuste desses, aí faz de forma desordenada e eventualmente o câmbio dispara, inflação sobe e economia afunda. A inflação alta acaba fazendo o ajuste. Há probabilidade grande de termos ajuste desordenado nos próximos quatro anos.” Encontro com estudantes de MBA Rodrigo Azevedo participou da Conferência MBA Brasil 2026, que chega à quinta edição neste ano. Desta vez, nos dias 6 e 7 de novembro, reuniu em Chicago, nos Estados Unidos, executivos de algumas das maiores empresas do Brasil e do mundo para discutir os rumos e as perspectivas de negócios dos principais setores da economia e do empreendedorismo brasileiros. Continua depois da publicidade *A repórter viajou a convite da MBA Brasil

Ata do Copom, IPCA e inflação nos EUA marcam a semana de 9 a 13 de novembro
Calendário Econômico

Ata do Copom, IPCA e inflação nos EUA marcam a semana de 9 a 13 de novembro

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você Gerando resumo Abrir o resumo Calendário econômico de 9 a 13 de novembro tem Ata do Copom, IPCA, serviços e varejo no Brasil, além de CPI e PPI nos Estados Unidos Foto: Freepik O calendário econômico de 9 a 13 de novembro começa com perguntas que ficaram em aberto na quarta-feira passada quando, depois de cinco cortes consecutivos, o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu a redução dos juros e segurou a Selic em 13,75% ao ano. Na terça-feira (10), a ata da reunião deve mostrar com mais detalhes o que levou o Banco Central (BC) a pisar no freio e quais condições poderão determinar os próximos movimentos da taxa básica. PUBLICIDADE A resposta chega em uma semana especialmente conveniente para testar os argumentos do BC. Dois dias depois da ata, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro, medida oficial da inflação brasileira. Entre os dois documentos, saem ainda os dados de serviços de setembro, sem contar que a semana começa com a repercussão do pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), previsto para domingo (8), para tentar acalmar os ânimos do mercado financeiro e promover uma ideia de pacificação do País neste quarto mandato. Publicidade Na sexta-feira (13), o varejo fecha uma sequência que permite observar, em poucos dias, preços e dois dos principais setores da atividade doméstica. Os Estados Unidos percorrem um caminho parecido. A inflação ao consumidor sai na terça-feira e os preços ao produtor, na sexta. Na Europa, o Reino Unido apresenta a primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre (3T26) na quinta-feira, e a zona do euro atualiza seus cálculos no dia seguinte. Confira a agenda da semana. Publicidade Segunda-feira, 9 de novembro A semana começa com novas projeções para a economia brasileira. O Banco Central divulga o Boletim Focus, relatório que reúne as medianas das expectativas de instituições do mercado para inflação, PIB, taxa Selic, câmbio e outros indicadores. As projeções pertencem aos participantes da pesquisa e não representam previsões do próprio BC. A divulgação de 9 de novembro está confirmada no calendário da autoridade monetária. A Fundação Getulio Vargas (FGV) publica também o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de outubro. O indicador reúne preços ao produtor, ao consumidor e da construção civil e utiliza como período de coleta o próprio mês de referência. A divulgação está marcada para segunda-feira. Publicidade Terça-feira, 10 de novembro A terça-feira reúne dois dos documentos mais relevantes da semana para a discussão sobre juros. No Brasil, sai a Ata do Copom, documento que detalha as discussões da reunião encerrada em 4 de novembro. Na ocasião, o colegiado decidiu por unanimidade manter a Selic em 13,75% ao ano, encerrando uma sequência de cinco cortes de 0,25 ponto percentual. O comunicado publicado logo após a decisão citou aumento das incertezas, expectativas de inflação ainda acima da meta e uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica. A ata poderá oferecer mais detalhes sobre o peso atribuído a cada um desses fatores e sobre o que o BC pretende observar até a última reunião do ano, marcada para dezembro. Publicidade Nos Estados Unidos, o Bureau of Labor Statistics (BLS, escritório de estatísticas trabalhistas americano) publica o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de outubro. Em setembro, o CPI avançou 0,6% no mês e 3,7% em 12 meses. O núcleo do indicador, que retira alimentos e energia por apresentarem maior volatilidade, subiu 0,3% no mês e 2,6% em um ano. A divulgação referente a outubro está oficialmente marcada para terça-feira. A China também divulga sua balança comercial de outubro, com os números de exportações e importações da segunda maior economia do mundo. Publicidade Quarta-feira, 11 de novembro A quarta-feira desloca a atenção doméstica dos juros para a atividade. A quinta-feira traz a principal leitura de inflação brasileira da semana. Publicidade O IBGE divulga o IPCA de outubro. O indicador mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumida por famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos e é a referência utilizada no regime brasileiro de metas de inflação. Em setembro, o IPCA acelerou para 0,82%, depois de registrar deflação de 0,32% em agosto. Em 12 meses, a inflação ficou em 4,58%. Esses são os resultados anteriores e não projeções para outubro. A nova leitura está oficialmente marcada para quinta-feira. O resultado chega pouco mais de uma semana depois de o Copom interromper o ciclo de cortes. Por isso, a composição do índice também será relevante. Mais do que o número cheio, preços de serviços e medidas que procuram reduzir o efeito de itens mais voláteis ajudam a avaliar a persistência das pressões inflacionárias. Publicidade No Reino Unido, o Office for National Statistics (ONS, escritório oficial de estatísticas britânico) publica a primeira estimativa do PIB do terceiro trimestre, além do PIB mensal de setembro. A divulgação está confirmada para 12 de novembro. Nos Estados Unidos, saem os pedidos iniciais de seguro-desemprego, que mostram quantos trabalhadores solicitaram o benefício pela primeira vez na semana anterior. Sexta-feira, 13 de novembro O consumo brasileiro encerra a semana doméstica. Publicidade O IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de setembro, que acompanha o volume de vendas do varejo. Em agosto, as vendas cresceram 0,1% frente a julho e 0,4% em relação ao mesmo mês de 2025. A publicação de setembro está oficialmente marcada para sexta-feira. Nos Estados Unidos, o BLS apresenta o Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) de outubro. O indicador mede a variação dos preços recebidos pelos produtores e ajuda a acompanhar pressões de custos antes que elas eventualmente cheguem ao consumidor. Em setembro, o PPI de demanda final havia avançado 1,3% no mês. O resultado de outubro será divulgado na sexta-feira, segundo o calendário oficial do BLS. A zona do euro também atualiza a estimativa do PIB do terceiro trimestre. A leitura preliminar publicada em 30 de outubro apontou crescimento de 0,4% frente ao trimestre anterior e 1,3% em relação ao mesmo período de 2025. A Eurostat informa que a estimativa seguinte será publicada em 13 de novembro. Leia também

Varejo culpa fim da taxa das blusinhas por perdas de vagas
UOL - Notícias

Varejo culpa fim da taxa das blusinhas por perdas de vagas

São Paulo O varejo de moda colocou na conta do fim da taxa das blusinhas a queda nos postos de trabalho no setor em setembro. Às vésperas da Black Friday e do Natal, duas das principais datas para as vendas, a Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) cobra urgência na revisão da medida, conforme havia sido prometido pelo governo, segundo a entidade. O setor já está pressionado pela situação macroeconômica de alto endividamento da população, que tem comprado menos. Somado a isso, a competição internacional tem desviado o consumo dos brasileiros para as plataformas de fora, especialmente as chinesas. A Lojas Renner, por exemplo, anunciou nesta quinta (5) que vai retirar as projeções de crescimento de receita para 2026 e para o período de 2027 até 2030, devido a esses fatores. Mulheres olham vitrine de loja em rua de comércio no bairro do Brás, região central de São Paulo - Rubens Chaves - 3.jul.2015/Folhapress Em setembro, o varejo perdeu 46,4 mil postos de trabalho, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No saldo total, levando em conta todos os setores, foi o pior setembro na criação de empregos formais da série histórica. Segundo a Abvtex, 34,9 mil das perdas de postos no varejo estão no comércio de vestuário e acessórios e 11,5 mil no de calçados. A entidade lembra ainda que o IBGE também apontou recuos nas vendas do setor de 3,6% em maio, 2,8% em junho, 1,5% em agosto e 3,9% em setembro. Enquanto isso, o volume de remessas internacionais processadas pelo Programa Remessa Conforme cresceu 86,1% no período pós-isenção, ante 2025, segundo a associação, que citou dados da Receita Federal. Com os juros em patamares altos —a taxa básica de juros do país, a Selic, foi mantida em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4)— e uma população endividada, o setor perde vendas para e-commerces asiáticos, como Shein, Aliexpress e Shopee, que oferecem preços abaixo do mercado nacional. A entidade cobra do governo uma reavaliação para este ano da taxa das blusinhas, que tributava compras do exterior de até US$ 50 (R$ 275) —faixa que atinge, sobretudo, as pessoas físicas. A medida foi extinta em maio deste ano. O setor quer aproveitar as vendas na Black Friday e no Natal. A partir do próximo ano, com a implantação da primeira fase da reforma tributária, essas importações serão alcançadas por um novo tributo, a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), cuja alíquota é estimada em cerca de 9%.

Debate sobre redução da Selic gera polêmica; ex-diretor do Banco Central critica proposta e considera discussão “muito barulho por nada”.
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Debate sobre redução da Selic gera polêmica; ex-diretor do Banco Central critica proposta e considera discussão “muito barulho por nada”.

No cenário econômico brasileiro, o debate sobre a proposta do economista André Lara Resende, que defende a redução gradual da taxa Selic para um patamar em torno de 7,5% ao ano ao longo de um ano, tem gerado controvérsias. Rodrigo Azevedo, ex-diretor de política monetária do Banco Central, desconsiderou a relevância desse debate em um painel durante a conferência anual da MBA Brasil, afirmando que “é muito barulho por nada”. A visão de Azevedo, que possui um histórico considerável na área, sugere que as discussões em torno da proposta de Resende estão sendo inflacionadas sem fundamentos substanciais. O evento, que ocorreu na Escola de Negócios Kellogg em Chicago, trouxe à tona a necessidade de refletir sobre a política econômica e os desafios que o Brasil enfrenta atualmente. A mediação foi realizada por Cristiane Schmidt, presidente da MSGAS e da ABDE, e contou com a participação de Solange Srour, da UBS WM, que também apontou preocupações sobre o futuro econômico do país. Em meio a essa discussão, Azevedo fez um ponto importante: a busca por soluções “mágicas” para o problema dos altos juros no Brasil é uma armadilha. Segundo ele, a relação entre a política fiscal e os juros é complexa, e as altas taxas de juros são uma consequência de questões estruturais na economia, exacerbadas por decisões políticas recentes. Azevedo destacou que o modelo de política econômica adotado pelos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) tem contribuído para a elevação dos gastos públicos, o que, em última análise, pressiona a inflação e, consequentemente, as taxas de juros. O ex-diretor considerou que, diante disso, não há necessidade de se desencadear debates sobre propostas sem o rigor da evidência empírica que sustentem tais mudanças. A conclusão de Azevedo é que, sem um ajuste fiscal sério e fundamentado, quaisquer propostas de mudança nas taxas de juros estarão fadadas a serem meras discussões, sem repercussão prática. Ele fez um paralelo com o governo de Michel Temer, no qual a introdução do teto de gastos levou a uma redução significativa nas taxas de juros, assim como a estabilização da inflação. Para Azevedo, essa é uma lição que não deve ser ignorada por aqueles que buscam soluções para os desafios enfrentados pelo Brasil. AUTOR: Repórter Maceió / reportermaceio.com.br Reciba nuestras novedades Reciba nuevas noticias directamente en su correo. RECIBIR NOVEDADES × Reciba nuestras novedades Elija qué noticias desea recibir de Prensa Mercosur. No completar Correo electrónico ¿Qué desea recibir? Todas las noticias de Prensa Mercosur Solo noticias de esta categoría: TENDENCIAS Categoría principal TENDENCIAS VER MÁS CATEGORÍAS También puede elegir otras categorías Hasta 15 en total ARGENTINA BOLIVIA BRASIL CIENCIAS Y TECNOLOGÍA CIUDADES LATAM CURIOSIDADES DEPORTES DERECHOS E IGUALDADES ECOLOGÍA Y NATURALEZA ECONOMÍA EDUCACIÓN Y CULTURA ENTRETENIMIENTO ESOTERISMO ESTADOS ASOCIADOS GASTRONOMÍA INTERNACIONAL MERCOSUR MUNDO ANIMAL OPINIÓN OTRAS REALIDADES PARAGUAY POLÍTICA RELIGIÓN SALUD Y BELLEZA TURISMO URUGUAY VARIEDADES VENEZUELA 0 categorías adicionales seleccionadas Acepto recibir novedades de Prensa Mercosur. CONFIRMAR SUSCRIPCIÓN ¡Solicitud recibida! Hemos recibido su solicitud. La validación de la dirección y la preparación de envíos se gestionan desde CENTRAL PM. CONTINUAR LEYENDO

Por trás dos juros altos
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Por trás dos juros altos

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) recebeu reações divididas pela manutenção, na semana passada, do mais elevado patamar de juros do mundo, deixando a taxa básica do país, a Selic, estável em 13,75% ao ano, após uma sucessão de cortes que pareciam indicar a tendência de redução gradual dos juros. De um lado, as críticas apontam para a Selic como a um bode expiatório, responsável pela contenção no crescimento econômico brasileiro. Por outro lado, a defesa dos juros enquanto mecanismo de proteção contra a inflação, por exemplo, cujo descontrole deixou traumas profundos na sociedade e na cultura econômica nacional, em espirais de remarcações de preços que culminaram na hiperinflação, nos anos 1980. A confirmação de que o Brasil continua com os juros reais mais elevados, descontada a inflação, no ranking de 40 nações elaborado pela consultoria Moneyou, atiçou os críticos de plantão – e não sem razão. O problema é que há razões de ambos os lados. Ao liderar uma lista que traz, em seguida, a Turquia, a Argentina e a Rússia, o juro real daqui não configura invenção despropositada, nem obstáculo único para a estagnação econômica e social no país. Mesmo sendo remédio amargo, o patamar de juros pode ser defesa necessária contra o descarrilamento completo da economia. Ainda mais quando o setor público possui a despropositada, isso sim, mania de gastar mais do que arrecada, prometer obras redentoras e programas salvacionistas, sem o correspondente recurso garantido em caixa para quitar os compromissos sem precisar retirar de outro canto, no cobertor sempre curto da irresponsabilidade política, administrativa e fiscal. A inflação acima do teto de controle é um dos motivos que levaram o Copom a não mexer na Selic para baixo, frustrando a expectativa de queda programada. Também não ajudaram as declarações do presidente da República reeleito, ainda em campanha, minimizando a responsabilidade fiscal em detrimento de despesas, segundo Lula, indispensáveis para gerar crescimento para distribuir seus efeitos positivos. Ex-ministro da Fazenda na ditadura militar, Antônio Delfim Netto não pensava muito diferente ao declarar que "é preciso primeiro fazer o bolo crescer para depois dividi-lo". Nos últimos dias, Lula vem sendo orientado a equilibrar o discurso populista com sensatez a respeito dos gastos públicos, pois o cenário da economia nos próximos anos poderá cobrar mais caro do que a retórica fácil imagina. E quem paga a conta é o povo, como sempre, pela gastança de governos que afundam no cheque especial da dívida pública. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), ecoando o pensamento vigente no Planalto, a decisão do Banco Central é injustificável, prejudicando as empresas e as famílias brasileiras. Com juros mais altos, os investimentos são mais caros e a dívida pública cresce em ritmo alucinante. Mas por trás dessa realidade indesejada por todos, condicionantes históricas e a teimosia de gestores que preferem gastar sem olhar a conta tornam a manutenção dos juros altos uma questão complexa, que depende tanto de visão política quanto de prevenção econômica para ser destrinchada.

Juros altos e inflação: entenda a tese econômica defendida por André Lara Resende - Times Brasil
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Juros altos e inflação: entenda a tese econômica defendida por André Lara Resende - Times Brasil

O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, defende uma mudança na política econômica brasileira. Sua proposta prevê reduzir gradualmente a taxa básica de juros (Selic) para aproximadamente 7,5% ao ano, em cerca de 12 meses. A ideia parte de um diagnóstico: o custo elevado dos juros é um dos principais fatores de crescimento da dívida pública e dificulta o equilíbrio das contas do governo. A discussão ganhou força depois que José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apoiou uma maior coordenação entre as políticas fiscal e monetária. A manifestação reacendeu o debate sobre o peso dos juros no endividamento público. Leia também: ‘Muito ruim’, ‘ridícula’ e ‘voluntarismo ingênuo’: economistas criticam proposta de Lara Resende para Selic a 7,5% Apesar disso, a proposta enfrenta resistência de economistas, que alertam para riscos de inflação, desvalorização do real e saída de investimentos. Por que Lara Resende considera os juros um problema fiscal? A tese do economista parte da relação entre a taxa de juros e o endividamento público. Para ele, o peso dos pagamentos de juros sobre a dívida brasileira supera a importância do déficit primário na explicação do avanço do endividamento. No artigo “Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos”, publicado em 25 de setembro, Lara Resende calcula que o custo médio da dívida chegou a 12,68% ao ano. Segundo seus números, os juros faziam a dívida bruta crescer aproximadamente 12,7% ao ano, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) nominal avançava perto de 7%. Essa diferença dificulta estabilizar a dívida em relação ao tamanho da economia. Por isso, o economista questiona uma estratégia fiscal concentrada em cortes de despesas e melhora do resultado primário, sem enfrentar o custo financeiro do endividamento. Como funcionaria a redução da Selic para 7,5%? A proposta prevê reduzir gradualmente os juros durante aproximadamente um ano. O cálculo considera uma meta de inflação de 3%, crescimento real potencial de 2,5% e um adicional de segurança de dois pontos percentuais. A soma levaria a Selic a aproximadamente 7,5% ao ano. Lara Resende também propõe criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, com atribuições mais amplas do que as do atual Conselho Monetário Nacional (CMN). O órgão estabeleceria metas fiscais e monetárias para períodos de quatro a cinco anos, buscando evitar conflitos entre as duas políticas. Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo. Siga o Times | CNBC A ideia não prevê retirar do Banco Central a responsabilidade pela condução da política monetária, mas ampliar a coordenação institucional, preservando sua autonomia e a atuação do Comitê de Política Monetária (Copom). Por que economistas criticam a proposta? As principais objeções envolvem os riscos de inflação e desvalorização cambial. Felipe Miranda, fundador da Empiricus Research, avalia que uma redução acelerada poderia estimular excessivamente a demanda e pressionar os preços. Ele também alerta que a diminuição da diferença entre os juros brasileiros e os internacionais poderia provocar saída de capitais, aumentar a procura por dólares e encarecer produtos importados. O professor da Universidade de Brasília (UnB) José Luis Oreiro concorda que os juros pesam sobre a dívida, mas classifica a estratégia como “voluntarismo ingênuo”. Para ele, seria necessário reformar a estrutura da dívida pública, especialmente os títulos indexados à Selic, antes de promover uma redução dessa magnitude. Ana Paula Vescovi, ex-secretária do Tesouro Nacional, considera arriscado utilizar as reservas internacionais para conter pressões cambiais. Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM, também alertou para possíveis impactos sobre a inflação e os títulos públicos. Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, igualmente questionou a viabilidade da proposta. Reservas internacionais na estratégia de André Lara Resende Lara Resende admite que a redução dos juros pode provocar desvalorização do real no curto prazo. Para suavizar esse movimento, defende o uso das reservas internacionais em intervenções no mercado cambial. Os críticos, porém, avaliam que utilizar esses recursos de forma recorrente poderia comprometer a proteção financeira do país e aumentar a desconfiança dos investidores. Leia também: Coordenador do programa de governo Lula endossa ideia de Lara Resende sobre fiscal e juros; economista propõe Selic a 7,5% O apoio de Gabrielli à coordenação entre as políticas fiscal e monetária não significa que o governo tenha adotado o plano. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que não existe reunião agendada entre Lula e Lara Resende e que a equipe econômica não discute apresentar a proposta ao presidente. Visualizando todos Stories Por que a China quer restringir telas gigantes nos carros elétricos? Por Andre Amadei Van com inteligência artificial consegue detectar buracos antes que eles se agravem Por Nathalia Gimenes Quais artistas já falecidos continuam faturando alto? 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