IPCA
Índice oficial de inflação do Brasil, medido pelo IBGE
Histórico dos Últimos 12 Meses
08/2025 a 08/2026O que é IPCA?
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é o indicador oficial de inflação do Brasil, calculado mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Ele mede a variação de preços de um conjunto de produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos. A cesta inclui categorias como alimentação, habitação, transportes, saúde, educação, vestuário e comunicação.
O IPCA é utilizado pelo Banco Central como referência para o regime de metas de inflação. Quando o IPCA acumulado se afasta da meta, o Copom ajusta a Taxa Selic para tentar controlar os preços.
Por que o IPCA é importante para investidores?
A inflação corrói o valor do dinheiro ao longo do tempo. Se seu investimento rende menos que o IPCA, você está perdendo poder de compra.
Títulos do Tesouro IPCA+ garantem rendimento real acima da inflação, protegendo o poder de compra do investidor.
Para saber o ganho real de um investimento, subtraia o IPCA do rendimento bruto. Ex: CDI de 14% - IPCA de 4% = ganho real de ~10%.
Muitos contratos de aluguel e planos de saúde são reajustados pelo IPCA. Acompanhar o índice ajuda a planejar gastos futuros.
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Economistas esperam que El Niño aumente inflação em 0,5 ponto no Brasil em 2027, mostra BC
Brasília Economistas consultados pelo Banco Central às vésperas da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) esperam que o fenômeno climático El Niño aumente a inflação no Brasil em 0,5 ponto percentual em 2027. O resultado do questionário foi divulgado pela autoridade monetária nesta quarta-feira (23). Essa foi a estimativa mediana registrada por 89 economistas na pesquisa encaminhada antes da decisão sobre a taxa de juros da semana passada. Do total, 83 entrevistados afirmaram já ter incorporado 0,3 ponto percentual em suas projeções para os preços ao consumidor no próximo ano. Caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e pela redistribuição das chuvas, o El Niño deve se intensificar no segundo semestre deste ano. Segundo o último relatório da Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), há 97% de probabilidade de o fenômeno atingir um nível muito forte ainda em setembro. Alagamento na Vila Seabra, zona leste de São Paulo, após fortes chuvas - Allison Sales - 14.set.26/Folhapress A pesquisa feita pelo BC mostrou também que a expectativa mediana entre 87 analistas é de um impacto de 0,3 ponto percentual na inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2026. Nesse caso, já foi incorporado 0,2 ponto nas previsões, conforme a resposta mediana de 80 participantes. De acordo com o questionário, na projeção mediana de 110 agentes econômicos, o IPCA deve fechar este ano em 5% e em 4,3% no próximo, em ambos os casos acima da meta perseguida pelo BC. O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No modelo de meta contínua, em vigor atualmente, o objetivo é considerado descumprido pela autoridade monetária quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto). As respostas ao levantamento, que foi enviado aos analistas do mercado no dia 4 de setembro, serviram como subsídio para a mais recente decisão do Copom sobre a taxa básica de juros (Selic), com novo corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. O El Niño está entre os elementos que levaram o Ministério da Fazenda a revisar para cima sua projeção para inflação do próximo ano, de 3,6% para 3,8%, refletindo os efeitos de um fenômeno mais intenso sobre a safra de 2027. A estimativa consta no boletim macrofiscal divulgado pela SPE (Secretaria de Política Econômica) na terça-feira (22). "O El Niño pode pressionar os preços dos alimentos in natura ainda este ano, embora seus efeitos mais significativos devam se concentrar na safra de 2027", afirmou a SPE. "A projeção para 2027 foi revisada para cima em razão dos efeitos de primeira ordem do El Niño sobre a produção de grãos e de segunda ordem sobre os preços das carnes, cujos impactos devem se materializar, sobretudo, no próximo ano", complementou. Os efeitos do El Niño também são motivo de preocupação para o BC em seu balanço de riscos para a inflação. No comunicado e na ata, a autoridade monetária falou sobre a possibilidade de as expectativas de o IPCA seguirem distantes da meta por longo período em razão dos efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e os custos de energia.
Depois da Selic, o que vem pela frente?
A Selic chegou a 13,75% depois de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. Agora, o mercado começa a olhar para os efeitos que os juros altos deixaram na economia e para a velocidade com que esses efeitos podem aparecer nos próximos meses. O Focus desta semana trouxe uma combinação que merece atenção. A projeção para a Selic no fim de 2026 caiu de 13,75% para 13,50%, enquanto a estimativa para o IPCA subiu de 4,90% para 4,92%. A projeção para o PIB também recuou, de 1,89% para 1,88%. A ata do Copom divulgada nesta terça-feira reforçou a percepção de que a atividade está perdendo ritmo. O Comitê apontou moderação no crescimento e destacou que os efeitos da política monetária estão aparecendo de forma mais clara, principalmente nos segmentos da economia mais sensíveis às condições financeiras. Esse processo já pode ser observado nos indicadores de atividade. O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, abaixo dos 1,1% registrados nos três primeiros meses do ano. A intenção de investimento da indústria também recuou para 51,3 pontos em setembro, no quarto mês consecutivo de queda e no menor nível desde agosto de 2020. O investimento é um dado particularmente importante. A redução dos juros melhora as condições de financiamento, mas a decisão de investir depende também da expectativa de demanda, dos custos e do grau de confiança das empresas. Se a atividade continua perdendo força, o efeito dos juros sobre o investimento pode demorar mais para aparecer. Na inflação, o cenário ainda pede cuidado. A projeção de 4,92% para o IPCA neste ano continua acima da meta, enquanto as expectativas para os próximos anos também permanecem relevantes para a condução da política monetária. É essa combinação que torna o próximo trecho do ciclo mais difícil de interpretar. A economia começa a responder aos juros altos, mas a inflação ainda não oferece ao Banco Central o conforto necessário para acelerar a redução da taxa. O ambiente externo também não ajuda a simplificar a conta. O Federal Reserve elevou os juros americanos para a faixa de 3,75% a 4% em setembro. O comunicado da instituição destacou que a atividade americana segue em ritmo sólido, enquanto a inflação permanece elevada. Para o Brasil, a diferença entre os ciclos de juros tem consequências para o câmbio e para o fluxo de capital. Também interfere na comparação que investidores fazem entre ativos brasileiros e americanos. Nos investimentos, os efeitos começam a aparecer de maneira diferente entre as classes. Na renda fixa, a queda dos juros aumenta a importância do prazo e da taxa contratada. Uma remuneração elevada hoje pode não estar disponível mais adiante, mas a decisão também precisa considerar liquidez e risco de crédito. Na Bolsa, juros menores reduzem o custo de capital e podem favorecer empresas mais sensíveis à taxa de desconto. Isso não elimina, porém, a necessidade de olhar para crescimento, geração de caixa, endividamento e expectativas de lucro. O cenário fiscal continua sendo outra variável importante. Mudanças na percepção sobre as contas públicas podem pressionar os juros futuros e o câmbio, interferindo justamente nas condições financeiras que o Banco Central começa a aliviar. Até aqui, os sinais apontam para uma economia que começa a sentir com mais intensidade os efeitos da política monetária. A questão é saber como essa desaceleração vai evoluir enquanto a inflação continua acima do desejado. Para os investimentos, o próximo movimento relevante pode não estar apenas na Selic, mas na forma como atividade, inflação, juros futuros e resultados das empresas vão se ajustar a um ambiente de juros menores.
Governo reduz projeção do PIB para 2% em 2026 e 2,3% em 2027
Governo reduz projeção do PIB para 2% em 2026 e 2,3% em 2027 FOTO: Marcelo Camargo / Agência BrasilO Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Para 2027, a estimativa também foi revisada para baixo, de 2,5% para 2,3%. As novas projeções constam do Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), divulgado nessa terça-feira (22/09). Segundo a SPE, a revisão reflete principalmente os efeitos dos juros ainda restritivos sobre a atividade econômica, com impacto mais acentuado nos setores de serviços e indústria. A equipe econômica também passou a considerar uma trajetória de flexibilização monetária "marginalmente mais gradual do que o previsto" anteriormente. Inflação em 4,9% A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 caiu de 5,1% para 4,9%. Apesar da melhora, a estimativa continua acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. A meta contínua estabelecida para o país é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O limite superior, portanto, é de 4,5%. Segundo a SPE, a revisão incorpora os resultados do IPCA até julho, que ficaram parcialmente abaixo do previsto anteriormente, principalmente no caso dos preços de alimentos consumidos nos domicílios e, em menor medida, dos serviços. A Fazenda também citou a melhora das expectativas de inflação e a manutenção da Taxa Selic (juros básicos da economia) em nível contracionista, que desestimula a atividade econômica. "A revisão também incorpora a melhora das expectativas de inflação para 2026, a manutenção da taxa Selic em patamar contracionista ao longo do ano e a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo semestre de 2026", ressaltou a SPE no relatório. Serviços e indústria A revisão do crescimento para 2026 foi concentrada principalmente nos setores mais sensíveis às condições de crédito e à demanda doméstica. As novas estimativas são: Serviços: de 2,4% para 1,8%; Indústria: de 2,1% para 1,7%; Agropecuária: de 1,8% para 2,8%. A melhora esperada para a agropecuária compensou apenas parcialmente a piora nas projeções para serviços e indústria. No caso dos serviços, a Fazenda atribui a revisão ao "carrego mais fraco deixado pelo primeiro semestre" e à transmissão, com defasagem, da política monetária sobre a demanda doméstica. O endividamento das famílias também aparece como fator de restrição ao consumo. Segundo o boletim, embora o endividamento permaneça estável em relação à renda, o comprometimento com o pagamento das dívidas atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre. “O comprometimento com o serviço da dívida atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, o que limita a conversão do avanço da massa de rendimentos em consumo”, destacou o relatório. Pressão sobre 2027 Para o próximo ano, o cenário traçado pela Fazenda combina crescimento econômico menor e inflação mais alta em relação às estimativas anteriores. As projeções passaram a ser: PIB: de 2,5% para 2,3%; IPCA: de 3,6% para 3,8%. A elevação da previsão de inflação é atribuída, entre outros fatores, aos possíveis efeitos de um El Niño mais intenso sobre a produção agrícola. O fenômeno climático pode afetar inicialmente os preços de grãos e, posteriormente, exercer pressão sobre outros alimentos, incluindo carnes. "A projeção para 2027 foi revisada para cima em razão dos efeitos de primeira ordem do El Niño sobre a produção de grãos e de segunda ordem sobre os preços das carnes", informou a SPE. Juros e recuperação A Fazenda também revisou a avaliação sobre o ritmo de transmissão da política monetária para a economia. A expectativa é que os efeitos de eventuais cortes da Selic apareçam gradualmente no crédito, no consumo e nos investimentos. De acordo com o boletim, a redução dos juros tende a beneficiar setores mais sensíveis ao ciclo econômico. "A queda da Selic iniciada em 2026 transmite-se gradualmente ao crédito e à demanda doméstica, estimulando a indústria de transformação, a construção e os serviços mais cíclicos", destacou o documento. A secretaria também prevê efeitos positivos sobre o investimento à medida que o custo de capital for diminuindo. Riscos no cenário Além do comportamento dos juros e da inflação, o documento aponta fatores externos e climáticos que podem alterar as projeções. Entre os principais pontos de atenção estão: efeitos do El Niño sobre a produção e os preços de alimentos; comportamento do preço do petróleo; condições do crédito para famílias e empresas; ritmo de recuperação da demanda doméstica; desempenho das exportações e da indústria extrativa. A SPE também destacou que conflitos internacionais podem elevar a volatilidade dos preços de energia e gerar efeitos sobre outras cadeias produtivas. Parâmetros para o Orçamento O Boletim Macrofiscal é divulgado periodicamente pela Secretaria de Política Econômica e reúne as principais projeções macroeconômicas utilizadas pelo governo na elaboração e atualização do Orçamento da União. Os números orientarão a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, a ser divulgado na próxima quinta-feira (24/09) pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento. O documento apresenta estimativas para indicadores como PIB, IPCA e Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e serve como referência para o planejamento das contas públicas. As revisões permitem à equipe econômica atualizar os parâmetros utilizados nas projeções de receitas, despesas e demais componentes do planejamento fiscal conforme a evolução do cenário econômico. (Agência Brasil)